Veja as principais frases da briga entre Bernardinho x Ricardinho

Portal Terra

DA REDAÇÃO - O corte na Pan-Americano de 2007 desgastou a relação entre o técnico da Seleção masculina de vôlei, Bernardinho, e o levantador Ricardinho. Após o estopim da crise entre ambos, não foram poucas as declarações de cada lado da história.

Chateado com o fato de ficar fora do Pan do Rio de Janeiro - e das competições seguintes - Ricardinho não mediu palavras para mostrar seu descontentamento com o treinador e também com companheiros do time, de quem o levantador esperava apoio.

"O meu ciclo praticamente se encerrou. A ferida está aberta e inflamada e não sei se vai cicatrizar. Hoje, digo que não tenho condições de encarar uma semana de treino com a comissão técnica. Mas a decisão não foi minha. Não fui convocado. Então, acho que não faço parte da Seleção Brasileira. E eu já vinha me preparando para as duas possibilidades: ser convocado e me apresentar e não ser convocado e voltar logo para a Itália", disse Ricardinho ao jornal O Dia em 2007 perto do lançamento de sua biografia que, no último capítulo, trazia a sua versão sobre o corte.

"Acho que não existe (a família Bernardinho) porque um pai não faria isso com um filho, não teria deixado vazar. E isso poderia ter prejudicado a minha carreira", disse Ricardinho, que um ano depois do corte deu, ao que parecia, um ponto final na relação com o treinador.

"Bernardinho é uma pessoa que morreu para mim. Passei por muita tristeza, sofri pra caramba. Se ele (Bernardinho) me ligar, querendo resolver o caso, simplesmente vou responder 'não quero, muito obrigado'. Não conseguiria aceitar depois de tanto tempo", disse Ricardinho, que também não poupou sua decepção com Giba, um dos líderes do grupo e também convocado na pré-lista para a Liga Mundial de 2010.

"No começo (Giba) foi a pessoa que me deixou mais chateado, mas agora, com calma, entendo que essa é a personalidade dele, em cima do muro. Não poderia esperar do Giba essa reação, porque não é o jeito dele. Ele não era o amigo que eu pensava que fosse. Irmão e amigo são coisas completamente diferentes e, se um dia jogarmos juntos, será profissional", afirmou.

Mas não foi só Ricardinho quem fez uso da imprensa para expor seus sentimentos com toda a situação. Bernardinho tentou justificar o afastamento de seu então capitão - alegou indisciplina - e disse que sentia amor pelo jogador.

"Amor é querer bem à pessoa e eu quero o bem dele, isso não quer dizer que você tenha que concordar com tudo que a pessoa está dizendo", afirmou o treinador dias depois do corte para depois comparar a relação de ambos como a de pai e filho: "chamar atenção de um filho às vezes dói mais no pai. Quando alguma coisa não está dando certo e a relação não está boa, tem que dar um tempo e se afastar. E você sofre com isso. O grupo de alguma maneira está sentindo. Nem tudo são flores em uma relação. Você não pode perder o respeito pelo tudo que foi feito e ainda será. Isso não é um ponto final. É um ponto intermediário para que possamos renascer mais fortes, todos nós", disse.

Com a inclusão de Ricardinho na pré-lista para a Liga Mundial, Bernardinho dá a entender que houve uma retratação do levantador. Pelo menos era isso que ele pedia na época para que o jogador voltasse a ser convocado.

"Jamais questionamos sua capacidade técnica e mantemos, sim, as portas abertas para o atleta na Seleção Brasileira. Agora, o próximo passo terá de ser dele: se fizer uma retratação ao grupo e mostrar-se disposto a seguir as regras e rotinas planejadas, ele será convocado. Caso contrário, se não houver uma movimentação do Ricardinho nesse sentido, ele não será convocado", disse em outubro de 2007, Bernardinho, que nas competições seguintes não convocou o levantador.

"Ricardinho jamais teve a intenção de se aproximar, então as portas estão fechadas. Ele joga ao lado de brasileiros e tem contato com colegas da Seleção. Mesmo assim, não deu sinais de reconciliação. As coisas voltaram ao normal? Não. A situação está como há seis meses", disse o treinador durante a campanha que culminou com a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008: "será que é só isso que importa? Será que teríamos chegado até aqui do jeito que as coisas estavam andando? Alguém aqui tem dúvida de que não dava mais?", questionou o treinador.