Campeão da Taça Guanabara, Botafogo deixa para trás o algoz

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Um resultado da superação e da volta por cima. Da humilhação sofrida na goleada por 6 a 0 para o Vasco, na terceira rodada da primeira fase, o Botafogo soube tirar forças para se recuperar e eliminar favoritos - venceu os atuais campeões brasileiros da séries A e B. Ontem, diante do mesmo rival, o time alvinegro venceu por 2 a 0, gols de Fábio Ferreira e Loco Abreu, e conquistou o bicampeonato da Taça Guanabara. A reconstrução do time, desmoralizado, passou pelas mãos de Joel Santana, um técnico que acumula experiência e títulos na carreira. Por ironia do destino, o treinador só assumiu o time depois que Estevam Soares foi demitido por ter sido goleado para o Vasco. Ontem, repetindo 1997, Joel levou o Botafogo a vencer a Taça Guanabara sobre o time de São Januário.

Com o resultado, o time de General Severiano está a dois passos da redenção definitiva. Caso se classifique e vença a semifinal e final da Taça Rio, será campeão carioca. Se não conseguir, terá ainda os dois jogos finais para tentar conquistar o título, após três vice-campeonatos seguidos. Campeão em 2006, o clube alvinegro disputará sua quinta final consecutiva, feito inédito na história do Carioca.

Depois de superar o favorito Flamengo na semifinal, o time de Joel Santana entrou em campo na decisão disposto a virar de vez a página da goleada. Num jogo de intensa movimentação, o Vasco teve maior posse, enquanto o Botafogo foi sempre perigoso nos contra-ataques. Aos cinco minutos, Lucio Flavio deu lindo passe para Loco Abreu, mas o uruguaio furou na hora de concluir. O Vasco respondeu aos 9. Em cobrança de falta ensaiada, Carlos Alberto cabeceou rente à trave de Jefferson.

O Vasco teve a melhor chance do primeiro tempo, aos 26. Coutinho rolou para Dodô, que entrou livre na área, mas se enrolou todo e não chutou. O Botafogo respondeu aos 33. Abreu passou livre pela direita, mas Herrera tocou muito forte e o uruguaio acabou desarmado. Na sequência, Lucio Flavio cruzou e Abreu quase marcou. Aos 38, Dodô tocou para Coutinho, que driblou Fahel e bateu. A bola desviou em Wellington e saiu.

Embora tivessem estratégias diferentes, os times cometiam os mesmos erros.

Estamos usando bem os contra-ataques, mas temos que acertar um último passe disse o lateral Marcelo Cordeiro.

Gols só no fim

O técnico Vagner Mancini voltou com Magno no lugar de Leo Gago. Mas foi o Botafogo que perdeu uma chance incrível aos dois minutos. Herrera recebeu livre dentro da área e chutou para defesa de Fernando Prass. Aos 10, Carlos Alberto chutou e bola passou raspando a trave.

Aos 18 minutos, Joel Santana mudou o jogo: tirou Lucio Flavio e colocou o talismã Caio. Já Mancini trocou Souza por Rafael Carioca. E aí, a principal jogada alvinegra voltou a funcionar. Aos 24, Marcelo Cordeiro cobrou escanteio, Fernando Prass saiu mal, e Fábio Ferreira cabeceou para abriu o placar.

O Vasco ficou abalado. Aos 26, Nilton perdeu a cabeça e foi expulso ao dar uma carrinho criminoso em Caio. Vagner Mancini ainda tentou recuperar terreno com a última cartada, colocando Rodrigo Pimpão no lugar de Magno. Mas a situação dos vascaínos piorou aos 38, quando Titi puxou a camisa de Abreu dentro da área. O árbitro marcou pênalti e expulsou o zagueiro. Abreu cobrou no canto e ampliou: 2 a 0.

Com dois a mais, o Botafogo passou a tocar a bola e envolver o adversário, para delírio dos torcedores alvinegros no Maracanã, que entoavam gritos de olé e, claro, de bicampeão.