Taça Guanabara: Vasco e Botafogo superaram a dupla favorita Fla-Flu

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Mesmo com o fim da folia de momo, vascaínos e alvinegros sonham fazer um Carnaval fora de época, hoje, às 17h, no Maracanã, em nome da alegria ver seu clube ser o primeiro do Rio a levantar um troféu em 2010: a Taça Guanabara. Frente à frente, o Vasco do artilheiro Dodô, de Carlos Alberto e do emergente técnico Vagner Mancini entra com moral de ser o único time ainda invicto na competição, após despachar o Fluminense.

Além disso, o Vasco vai a campo psicologicamente mais fortalecido após a goleada de 6 a 0 imposta ao mesmo adversário de hoje, na primeira fase. Do outro lado, o Botafogo de Joel Santana, mistura de mestre e raposa, e dos enlouquecidos gringos Herrera e Loco Abreu, que detonaram o Flamengo nas semifinais.

Sem contar o jovem Caio, talismã e arma mortal, que Joel tem à disposição no banco de reservas. O desejo alvinegro? Devolver a goleada com juros e correção monetária.

Vasco e Botafogo iniciaram o campeonato desacreditados, com elencos recém-reformulados. Ao contrário da dupla Fla-Flu, que manteve a maioria de seus principais jogadores. O Flamengo acabara de conquistar o hexa e o Fluminense vinha de uma arrancada homérica, que o livrou do rebaixamento no Brasileiro.

Enquanto o Vasco não conquista uma Taça Guanabara desde 2003, último ano em que foi campeão estadual, o Botafogo participou de 11 das 13 finais de turno ou de título estadual. De 2006 para cá, quando foi campeão estadual, o Botafogo só ficou fora da decisão da Taça Rio de 2006 e Taça Guanabara de 2007.

O mestre e o emergente

Apesar de ter iniciado a carreira há apenas seis anos, Vagner Mancini chega a sua quarta decisão com saldo positivo: foi campeão da Copa do Brasil em 2005, pelo Paulista, em cima do Fluminense, conquistou o baiano de 2008, no Vitória, e perdeu o Paulistão para o Corinthians dirigindo o Santos. Já escaldado, ele não se ilude com a goleada de 6 a 0 sobre o Botafogo, que culminou a demissão do técnico Estevam Soares.

O Vasco vai ter muito mais trabalho nesse jogo. O Botafogo de hoje é uma equipe diferente daquela da goleada. O time superou uma série de coisas, inclusive o 6 a 0. O Joel (Santana) pegou o time com uma tendência a melhorar. A vitória sobre o Flamengo é uma prova disso se previne o treinador do Vasco.

Há apenas três semanas no cargo, Joel Santana já mostrou a força do brilho de sua estrela para conquistar o sétimo título estadual no Rio. Mandou até o aviso de que o bicho vai pegar para o Vasco.

Em apenas três semanas, meus jogadores deram a volta por cima. Hoje, o noticiário é do Botafogo. O que interessa é a aceitação do grupo. Não adianta fazer uma coisa que o time não quer. Tenho uma linha de conduta que a vida me ensinou. Gosto de ser assim disse o treinador.

De tanto ter treinado sua defesa, Vagner Mancini acredita ter encontrado o antídoto para evitar as cabeçadas de Loco Abreu e Herrera no jogo aéreo do Botafogo.

Não tenho medo do Loco Abreu e do Herrera. Se meus zagueiros têm, eu não sei brincou o treinador.

Joel, por sua vez, vai adotar marcação especial em cima do meia Carlos Alberto. E o encarregado disso é o volante Leandro Guerreiro. Questionado sobre uma possível marcação especial no capitão vascaíno, o técnico deu um sorriso e tentou despistar.

Marcação no Carlinhos (Carlos Alberto)? Não sei. Vamos ver. Vamos pensar no assunto dissimulou o treinador alvinegro, mostrando o velho estilo matreiro.

Desde sábado de Carnaval, o Vasco só descansou e se preparou para a decisão de hoje. Já o Botafogo teve o desgaste da difícil semifinal contra o Flamengo, na Quarta-Feira de Cinzas. Para Vagner Mancini, o possível cansaço alvinegro pode favorecer sua equipe, dependendo do ritmo que a partida se desenrolar.

Vai depender muito de como for o jogo. Se tivermos muito calor, se a partida for num ritmo intenso, o Botafogo pode sentir o cansaço. Mas os jogadores podem se superar por ser uma decisão entende o treinador.

Agora é saber quem no final terá mais fôlego para gritar: é campeão!.