Olimpíada de Vancouver acumula acidentes e erros da organização

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A Olimpíada de Inverno de Vancouver já começou com o pé esquerdo, e, ao que tudo indica ao fim da primeira semana, pode terminar assim. A trágica morte do atleta Nodar Kumaritashvili durante um treino de luge, poucas horas antes da cerimônia de abertura, foi o primeiro de vários incidentes. Até mesmo o clima conspirou contra o evento que, com uma série de falhas na organização, está recebendo críticas e até ameaças de processos.

Sobre os erros, precisamos conserta-los declarou John Furlong, chefe-executivo do Comitê Organizador dos Jogos. Sobre o resto, não acredito que ninguém aqui ou na cidade estaria preparado para prever algumas das coisas com que os Jogos tiveram que lidar.

O clima foi um problema desde o começo. As temperaturas que chegaram a 10º C , combinadas com as fortes chuvas, derreteram parte da neve, prejudicando algumas provas. Cerca de 28 mil ingressos para provas de esqui e snowboard foram cancelados por motivos de segurança, já que a névoa e a umidade deixaram o terreno da montanha de Cypress instável e, portanto, perigoso aos espectadores. Os prejuízos chegaram a 1,4 milhão de dólares canadenses (cerca de R$ 2,5 milhões).

Embora só um acidente tenha tido fim trágico, vários atletas tiveram que ser hospitalizados. No caso fatal do georgiano Nodar, a organização se isentou de responsabilidade, mas várias críticas foram feitas aos pilares de metal ao lado da pista contra um dos quais ele se chocou e morreu - e à velocidade do percurso. Segundo o New York Times, o Comitê teria sido avisado do perigo da pista por um ex-atleta, que já havia perdido a consciência e sofrido uma concussão no local.

Vários outros atletas se acidentaram no mesmo local que Nodar. É o caso de Duncan Harvey, do bobslead, e Violeta Stramaturaru, do luge. O problema levou a Federação Internacional de Luge e os organizadores de Sochi a chegarem a um acordo para diminuir a velocidade da pista para as Olimpíadas de 2014, na Rússia.

Além disso, o Comitê Olímpico da Eslovênia está considerando processar o comitê de Vancouver depois que a atleta de esqui cross-country Petra Majdic quebrou quatro costelas e feriu um pulmão ao cair em um buraco durante um aquecimento.

Até a tocha olímpica se virou contra o evento, quando uma de suas hastes não apareceu na hora certa durante a abertura. O objeto voltou a virar motivo de reclamação, quando foi posicionado atrás de uma cerca de arame que prejudicava a visibilidade dos visitantes.

No que foi considerado o dia mais negro do biatlo pelo presidente da União Internacional de Biatlo, Norbert Baier, os organizadores erraram na cronometragem das provas masculina e feminina.