Polícia apoia bilheteria fechada em dia de clássico

Paulo Murilo Valporto , Portal Terra

RIO - A polêmica decisão tomada pela secretária Estadual de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Márcia Lins, de proibir a venda de ingressos nas bilheterias do Maracanã - válida somente para os clássicos - foi elogiada, nesta quinta-feira, pelos comandantes do policiamento no estádio. Segundo eles, a novidade vai facilitar o acesso dos torcedores em dias de grande público.

Os policiais não acreditam que a medida poderá estimular a ação de cambistas, ou prejudicar as pessoas que, por algum motivo, não conseguiram comprar o ingresso com antecedência.

Detalhes do novo plano de venda de ingressos para jogos do Campeonato Carioca foram discutidos em uma reunião na tarde desta quinta-feira, na Casa Civil do governo estadual, na qual estiveram presentes a secretária Márcia Lins, o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, coronel Príncipe, o comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), tenente-coronel Luís Otávio, além de representantes dos clubes, da federação, e da BWA, empresa responsável pela confecção e distribuição dos bilhetes.

"Como é que os cambistas têm acesso aos ingressos? Geralmente nos próprios clubes, que repassam uma parte às torcidas organizadas. E estas, para ganhar dinheiro, vendem o lote que recebem e acabam alimentando esse comércio ilegal. Isso vai continuar acontecendo", comentou o corone Príncipe sobre a possibilidade de cambistas serem beneficiados com a medida, como já aconteceu nos jogos Flamengo x Duque de Caxias e Fluminense x Bangu.

Príncipe ainda explicou que a iniciativa, em breve, será estendida a todos os jogos no Maracanã. Por enquanto, vale para os clássicos - nos demais, as bilheterias fecharão três horas antes de a bola rolar. Novos postos de venda serão instalados em pontos estratégicos da cidade, para que ninguém precise comprar na hora, ou no estádio.

Se o 6º Batalhão da PM é o responsável pelo policiamento na área externa do Maracanã e nas ruas adjacentes, o GEPE, que funciona dentro do Batalhão de Choque, é quem mantém a ordem no interior do estádio.

"Não creio que o fato de as bilheterias ficarem fechadas vai facilitar a ação dos cambistas. Pelo contrário, eles ficarão mais expostos. O ideal é que o torcedor chegue ao estádio já prevenido, para evitar tumultos", comentou o tenente-coronel Luís Otávio, partilhando a opinião do seu colega de farda.

Segundo Márcia Lins, esta medida é mais um passo no sentido de preparar o Maracanã para ser o palco da final e dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014. Já a partir das próximas rodadas do Carioca - com as bilheterias fechadas -, apenas os torcedores que estiverem com o seu ingresso à mão terão acesso às imediações do estádio.

O Maracanã será fechado para obras em setembro deste ano e será reaberto em 2012.

Corrupção

As torcidas organizadas estão na mira do coronel Príncipe. Sete funcionários da BWA foram presos em flagrante quando tentavam desviar oito mil ingresso do jogo Flamengo 2x1 Grêmio, que decidiu o Campeonato Brasileiro de 2009.

Na época, a empresa - que atua em diversos estádios de futebol no Brasil - se eximiu de culpa, acusando seus próprios funcionários (alguns do alto escalão) pela fraude, que, se executada, renderia milhões.