Comissão 2016 alerta para segurança e visita favelas do Rio

Mariana Canedo, Portal Terra

RIO - Garantir a segurança no Rio de Janeiro durante a Olimpíada é uma das preocupações da presidente da Comissão de Coordenação dos Jogos de 2016, Nawal El Moutawakel. Além da marroquina, o diretor-executivo do grupo e mais dois integrantes do Comitê Olímpico Internacional fizeram questão de incluir nessa primeira visita à capital fluminense depois da escolha da cidade como sede olímpica uma visita à favelas.

"Fiquei muito impressionada com o discurso da capitã Priscila na apresentação da candidatura do Rio. Por isso, pedimos que incluíssem no roteiro uma visita a favelas onde o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) já tivesse sido implantado", disse Nawal, nesta terça pela manhã em um hotel na Barra da Tijuca.

Agora há pouco, acompanhada do governador Sérgio Cabral, do Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, a campeã olímpica marroquina Nawal foi recebida pela comandante da Unidade de Polícia Pacificadora, capitã Priscila, no Morro Santa Marta. As duas se abraçaram e assistiram a uma apresentação de caratê de jovens da comunidade. O Morro Santa Marta, em Botafogo, foi o primeiro a ser ocupado pelo policiamento comunitário em dezembro de 2008.

O grupo segue para favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, onde, um mês depois da ocupação, os policiais buscam uma aproximação maior da comunidade para garantir a manutenção da ordem e a distância dos traficantes.

A iniciativa da comissão de visitar as favelas não desagradou ao Comitê Olímpico Brasileiro, que se encarregou de escolher os dois morros da zona sul para levar os visitantes.

"É um momento muito diferente do que vivemos no passado em que a comissão de avaliação tinha uma posição e o comitê de candidatura outra. Agora os dois estão do mesmo lado. O momento agora é de construir a organização dos Jogos. Os ajustes que o projeto sofrerá serão sempre para melhor", garantiu o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.

Esses ajustes deverão ser apresentados até maio, quando a comissão voltará a visitar a cidade para mais reuniões. Mas antes disso, mais especificamente na terça-feira de carnaval, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, pretende ir a Vancouver, no Canadá, onde estarão sendo realizados os Jogos de Inverno, para desenvolver melhor o projeto apresentado à Comissão nesta terça sobre a utilização da Zona Portuária, no Centro, para alocação dos centros de imprensa escrita e eletrônica.

"Eu forcei uma barra, agora é apresentar uma proposta concreta e levar o maior número de equipamentos possíveis para a Zona Portuária para ajudar no processo de revitalização da área", disse Paes.

O projeto de renovação da área, que está bastante degradada, caminha ainda a passos lentos. Mas, segundo o prefeito, a obra do píer, onde teoricamente será instalado o Museu do Amanhã, só não está avançando porque ele mesmo deu uma segurada. A intenção é que o Museu esteja pronto para Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que será realizada em 2012 no Rio de Janeiro.

Faltam seis anos para os jogos e as obras para construção do Rio olímpico ainda não começaram. Por enquanto, o clima é de otimismo. "Estou confiante de que os jogos serão memoráveis. Nossa equipe fará o possível para ajudar a garantir esse espetáculo para o público e para os atletas", disse Nawal.