Histórias do Carioca: aventuras na Avenida Brasil

Evandro Teixeira, Jornal do Brasil

RIO - Nesta crônica que encerra a série sobre curiosidades que marcaram a história do Estadual, não haveria como não lembrar do estádio Guilherme da Silveira, em Bangu, também conhecido como Moça Bonita. Jogar ali quase nunca foi tranquilo para os times de futebol. Estádio calorento, pequenino, onde quem mandava era Castor de Andrade, conhecido na Zona Oeste do Rio por ser o patrono do jogo do bicho. Com Castor, não havia moleza no Estádio Proletário Guilherme da Silveira.

Paternal com os jogadores, aos quais dizia tratar como filhos , pai Castor sabia ser duro. Não eram poucas as histórias que circulavam nos estreitos corredores do estádio sobre as broncas que o patrono dava, no intervalo, quando o Bangu não jogava bem. Às vezes de revólver em punho.

Mas a vida não era dura só para os pupilos do doutor Castor. Para nós, fotógrafos, também. De dia, o sol forte dificultava nossa vida e ainda sofríamos com a falta de condições ideais em busca do melhor ângulo. À noite, a situação ficava literalmente mais preta ainda, já que a iluminação do estádio era fraca e conseguir uma foto de qualidade, raríssimo. Para piorar, quando ainda vivíamos na época da telefoto, éramos obrigados a enviar o filme do primeiro tempo no intervalo. E Bangu é bem longe!

Num Bangu x Botafogo, na década de 80, o alvirrubro empatou a partida e o pau quebrou no gramado e nas arquibancadas do estádio, sendo que só a chegada do Batalhão de Choque da PM fez os ânimos arrefecerem!

Depois de muita pancadaria e com o filme do primeiro tempo garantido na redação, depois das tradicionais cotoveladas em busca do melhor lugar para fotografar, partimos, uma e meia da manhã, para o jornal. Em Realengo, nosso motorista furou o sinal, na pressa para conseguirmos emplacar uma foto da confusão no segundo clichê. Fomos seguidos por várias patrulhas da PM com as sirenes ligadas. Paramos, então. Desci de braços abertos, com um monte de câmeras penduradas. O cabo, trêmulo, queria porque queria apertar o gatilho e só se conteve após levar uma bronca do sargento da guarnição, que desfez o mal-entendido ao ouvir nossa explicação.