Sem rivalidade, "Loco" Abreu justifica apelido de infância

PAULO MURILO VALPORTO, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - Sebástian Abreu chegou ao Botafogo nesta quarta-feira em cerimônia com ares de ídolo. Novo camisa 13 da equipe de General Severiano, "El Loco" Abreu foi recebido com pompa pelo presidente do clube, Maurício Assumpção, e por Zagallo, ex-jogador e técnico do time. Em sua primeira aparição pública, além de protagonizar a troca de elogios, o atacante fez questão de explicar a origem de seu apelido.

"É um apelido de infância, de quando comecei nas categorias de base do Nacional", explicou o jogador, que ganhou a fama de carrasco do rival Peñarol durante sua passagem pelos profissionais em 2001 e 2004. "Na base, vivia fazendo brincadeiras. A partir da infância e adolescência, surgiu essa história de 'El Loco'", completou.

Apesar do tom jocoso do apelido, o atacante garante gostar de sua alcunha. "Isso nunca me incomodou. É um nome artístico. Sempre sou chamado carinhosamente de 'El Loco'", emendou o atacante que, fora de forma, só deve estrear pelo time na segunda rodada do Campeonato Carioca, dia 21, contra o Friburguense, no Engenhão.

"Anfitrião" da cerimônia de recepção, Zagallo garantiu uma recepção calorosa para o novo reforço do time de Estevam Soares. Segundo o ex-jogador e técnico do Botafogo, "Loco" Abreu tem condições de se firmar entre os grandes ídolos da história do clube.

"Passei 12 anos aqui. Fui campeão carioca como jogador em 1961 e 1962, depois como técnico em 1967 e 1968, além da Taça Brasil em 1968. Foi por conta disso que ocupeia a vaga do João Saldanha na Seleção (de 1970). Fiquei orgulhoso quando fui convidado (para a cerimônia) e lembrei de craques do passado: Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo, Quarentinha e tantos outros que me proporcionaram grandes vitórias. Tenho certeza de que ele também vai brilhar no Botafogo", discursou o ídolo.

Curiosamente, Zagallo teve duas passagens marcantes com a Seleção Brasileira diante do Uruguai. Na Copa de 50, ele era soldado do Exército brasileiro e estava na segurança do Maracanã. Mais tarde, em 1970, como ele mesmo lembrou, era o técnico da vitória por 3 a 1 pelas semifinais do Mundial.

Mesmo que a rivalidade entre os dois países já não seja o mesmo, Zagallo fez questão de garantir que não terá problemas com o uruguaio. "Acima de tudo, ele vai vestir a camisa alvinegra, e já está de bom tamanho", sorriu.