Suriname: embaixador brasileiro não confirma vítimas

Portal Terra

RIO - O embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa, visitou na tarde deste domingo a cidade de Albina, na fronteira com a Guiana Francesa, e não encontrou confirmação de brasileiros mortos nos conflitos da última quinta-feira à noite, quando a comunidade brasileira foi vítima de um ataque motivado pelo assassinato de um morador local. Até o momento, há 23 brasileiros feridos oficialmente. Relatos de vítimas dos ataques e testemunhas afirmam que há mais de 14 brasileiros mortos.

Segundo a funcionária da embaixada brasileira, Ana Gracindo, que acompanhou o embaixador na missão, as autoridades locais afirmaram que os conflitos não deixaram mortos e que um grupo de brasileiros está sendo levado, ainda hoje, pela polícia local para a capital do país, Paramaribo.

O embaixador, em declarações à GloboNews, afirmou que os relatos das testemunhas são exagerados e que nenhum brasileiro expressou desejo de deixar o Suriname. Machado e Costa partiu por volta das 11h (horário de Brasília) deste domingo de Paramaribo em direção a Albina acompanhado do embaixador surinamês Robby Ramlakhan. A comitiva foi escoltada por três veículos de autoridades do Suriname.

Relatos de vítimas que estão no local afirmam que há até 14 brasileiros mortos. O padre José Vergílio, que dirige a rádio Katolica no Suriname, afirmou que pelo menos sete pessoas morreram na região da cidade de Albina, sendo três brasileiros. O religioso disse ter ajudado a atender 91 brasileiros e 30 chineses feridos. Já o deputado estadual do Amapá, Paulo José (PR), que recebe informações por telefone de pessoas que se encontram na área do conflito, afirmou que existem muitos cadáveres de brasileiros no rio que divide o Suriname com a Guiana Francesa. O político, contudo, não soube precisar quantas pessoas teriam morrido.

Ataques

Neste domingo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou que a consulesa brasileira em Caiena, na Guiana Francesa, encontrou no município de Saint-Laurent-du-Maroni, na fronteira com o Suriname, nove brasileiros feridos em um hospital, que se somam aos 14 que estão hospitalizado em Paramaribo, capital do Suriname, após os ataques sofridos na cidade surinamesa de Albina na última quinta-feira.

O embaixador brasileiro no país, José Luiz Machado e Costa, informou que o ataque seria uma reação ao assassinato de um surinamês por um brasileiro durante uma briga motivada por uma dívida.

Um grupo de 81 brasileiros que se refugiou inicialmente em um quartel foi transferido pelo governo local para a capital, Paramaribo. A cidade de Albina, a 130 km da capital, é o principal ponto de fronteira com a Guiana Francesa e atrai grande quantidade de garimpeiros brasileiros.

Existem tensões em Albina entre exploradores de ouro brasileiros e surinameses, incluindo ameríndios, que enfrentam uma alta taxa de desemprego. Albina, uma cidade com cerca de 5 mil moradores, é o principal ponto de cruzamento para a Guiana Francesa.

Segundo a embaixada brasileira, vivem atualmente no Suriname entre 15 mil e 18 mil brasileiros, a maioria dedicada ao garimpo. Segundo Machado e Costa, esta é a primeira vez na história que ocorre um incidente desse tipo, já que a convivência entre os brasileiros e a população local costuma ser pacífica.