Na 1ª entrevista após divulgar doping, Agassi pede paz

Jornal do Brasil

NOVA YORK - Envolto numa grande polêmica depois de ter confessado que usou metanfetamina, o ex-tenista André Agassi pediu compaixão a seus críticos numa entrevista à TV americana que irá ao ar domingo nos Estados Unidos. Durante a entrevista ao programa 60 Minutes, Agassi falou de sua biografia explosiva, Open, na qual admitiu ter usado a droga recreativa e falou de sua batalha contra a depressão. O livro será lançado segunda-feira nos EUA.

Em dado momento, o ex-número 1 do tênis mundial fica emotivo quando a entrevistadora pede que ele responda a uma crítica feita pela ex-jogadora Martina Navratilova, que o comparou ao jogador de beisebol Roger Clemens, que enfrenta alegações de doping.

Sim, isso é tudo o que você não quer ouvir disse Agassi à jornalista Katie Couric. Mas, ao lado disso, espero que haja alguma compaixão, porque talvez essa pessoa não precise de condenação. Talvez essa pessoa precise de um pouco de ajuda. Porque aquilo foi em uma fase de minha vida em que eu precisava de ajuda.

No livro, Agassi relata com franqueza que foi apresentado à droga em 1997 e descreve o momento em que foi informado de que tinha sido reprovado num exame de doping. Mais tarde ele mentiu à ATP, o organismo que rege o tênis masculino, e escapou de ser proibido de jogar. Em carta, Agassi defendeu-se acabou liberado para competir.

Apesar das reações fortemente negativas suscitadas por sua revelação, Andre Agassi disse que não lamenta ter trazido à tona seu consumo de drogas, mesmo que isso acabe por lhe custar seu lugar no Hall da Fama do Tênis.

Não sei quais serão as consequências. Eu tinha muito mais a perder se contasse essa história com transparência total do que tinha a ganhar disse Agassi a Couric. O preço que acompanha isso é o preço que assumi, e estou bem com isso. A parte com que me preocupo e em que penso mais diz respeito a quem isso (sua confissão) pode ajudar.

O ex-tenista disse que usou a substância dopante quando estava em depressão. Naquele ano, ele passava por um mau momento na carreira e estava em meio a problemas de relacionamento com a atriz Brooke Shieds, com que se casou. Na temporada de 1997, o jogador despencou da oitava para a 141ª colocação no ranking.

Agassi, que se aposentou do tênis profissional em 2006 com 60 títulos conquistados e R$ 52 milhões em prêmios na carreira, disse que outros atletas podem passar pelo mesmo problema que ele teve:

Eu tive problemas, e talvez existam muitos outros que foram pegos no antidoping com a mesma dificuldade que eu tive.

Derrotado por Agassi na final olímpica de Atlanta, em 1996, um ano antes da temporada em que o americano se dopou, o espanhol Sergi Bruguera acusou o então adversário de ter trapaceado também na decisão dos Jogos Olímpicos.

Eu me sinto chateado e creio que fui roubado. Me sinto roubado não só neste jogo, mas em vários outros importantes que jogamos disse o bicampeão de Roland Garros. Se me derem a medalha de ouro vou aceitá-la, mesmo que fosse melhor tê-la dentro de quadra, mas é evidente que quem faz trapaças não a merece.

Bruguera também criticou a ATP por não ter punido Agassi.

Pensava que estavam para nos proteger e defender dos quem tomam drogas e castigá-los, não para acobertá-los e assim ajudar quem joga sobre os efeitos das drogas. Agora não sabemos se eles acobertaram outro tenista complementou Sergi Bruguera.

O Comitê Olímpico Internacional ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.