Jovem tenta superar limites com "esporte desconhecido"

Portal Terra

CURITIBA - Uma das melhores atletas do Brasil, sete campeonatos brasileiros, dois mundiais interclubes, dois vice-campeonatos mundiais com a Seleção Brasileira. Este é o currículo da atacante Tatiane Elis Schneider, 22 anos, da equipe Duque de Caxias de Punhobol, de Curitiba.

Currículo invejável, que se fosse de um jogador de futebol profissional já teria rendido, no mínimo, uma pequena fortuna em dólares e euros. Mas para Tati, como é chamada pelos amigos, a história é muito diferente.

Convocada para o Sul-Americano de Punhobol que será em Blumenau (SC), no próximo mês, a atacante muitas vezes precisa pagar por suas viagens e estadia para participar de campeonatos.

Mas todo empenho não é empecilho. O punhobol, modalidade pouco divulgada no Brasil, é o motivo de orgulho para Tati, que procura no esporte amador força para superar todos os problemas pessoais.

Discreta nas atitudes, mas ganha destaca pela altura muito superior às colegas de equipe, Tati tenta passar despercebida em meio ao seu grupo. A vida pessoal não é algo para se destacar ou se comentar durante uma competição.

Mas a homenagem ao irmão Rômulo, com a foto e uma frase na camiseta por baixo do uniforme, chama a atenção quando ela sai para comemorar a conquista do Mundial Interclubes Feminino de Punhobol, depois da vitória sobre Alhorner, da Alemanha, garantindo o bicampeonato, em Curitiba.

O carinho com que expõe a camisa é inexplicável. Enquanto as colegas choram pela conquista, Tati se mantém sorridente, forte, como se tudo em sua vida estivesse na mais perfeita ordem. Porém, a jovem já enfrentou muita turbulência emocional, o que pode tê-la tornado assim, tão forte.

- É a foto do meu irmão. Éramos gêmeos, o perdi há cinco meses - diz Tati, lembrando de Rômulo, vítima de câncer.

E foi no punhobol, este esporte pouco conhecido, que pratica há 10 anos que a jovem atacante encontrou forças para tentar atenuar a perda do irmão. Depois disso, ela ainda teve problemas de saúde.

- Eu tive hidrocefalia, passei por uma cirurgia na cabeça e fiquei dois meses parada - afirma.

Nada disso atrapalhou a carreira da jovem. Tati voltou aos treinamentos, por amor ao esporte que lhe tira as poças economias e pela força que ganha quando está nas quadras.

- Não sou nada sem o punhobol. O esporte me faz ter forças para continuar lutando. Às vezes é tudo muito difícil, mas o esporte me faz pensar diferente - diz.

A paixão pelo esporte é tão grane, que bancar as próprias viagens é um prazer para a atacante que hoje consegue receber ajuda por meio do Bolsa Atleta, programa do governo federal.

- O dinheiro não é muito. Muitas vezes pagamos até a bola que jogamos. Mas é meu hobby, é minha paixão. Faço tudo porque eu gosto - ressalta Tati, que concilia treino e aulas do curso de educação física, assim como suas colegas.

O que é o punhobol?

O esporte é praticado desde a Idade Média, mas ganhou força no século XIX na Alemanha, país que domina a modalidade e tem o maior número de adeptos no planeta. Foram os germânicos que levaram o esporte para o Brasil, onde tem seguidores especialmente na Região Sul.

Esporte coletivo, o punhobol tem elementos do vôlei. De acordo com informações do site Punhobol, a quadra é dividida por uma linha, fita ou corda - altura de 2 m para homens e 1,90 m para mulherees - e leva a melhor a equipe que conseguir impedir a rival de devolver a bola ou provocar um erro do adversário.

Em um jogo por tempo, vence aquele que somar o maior número de pontos. No caso de séries (ou sets como é conhecido no vôlei ou no tênis), a equipe que somar 2 ou 3 primeiro.