Botafogo: vitória para aliviar e quebrar longa escrita

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO - Se há três anos, o Botafogo vem sendo derrotado pelo Flamengo nas finais do Campeonato Estadual, o retrospecto é ainda pior quando a rivalidade ganha âmbito nacional. Há nove anos o alvinegro não vence seu principal rival no Brasileiro. A última vitória foi no ano 2000. No lado rubro-negro, Petkovic, recém-chegado ao clube, marcou. Do lado alvinegro os zagueiros Dênis e Sandro marcaram. Mas quem não esquece aquela partida é o atacante Donizete. O ex-jogador, que completa 41 anos sábado, quer a vitória sobre um de seus maiores rivais domingo.

Lembro como se fosse hoje. Foi uma jogada na lateral, Julio Cesar saiu jogando errado e a bola sobrou para mim. Mandei por cobertura de fora da área. Foi lindo lembra o Pantera.

Foi a última alegria sobre os rivais. De lá para cá, 13 jogos, com seis empates e sete derrotas para os rivais pelo Nacional. Nem mesmo o time que chegou a liderar o campeonato em 2007 conseguiu um triunfo sobre os advesários. Segundo Donizete isso se reflete não só no psicológico do time. O torcedor também fica abalado.

Imagina o torcedor do Botafogo não poder zoar o do Flamengo. Os caras acabam nem indo ao estádio revela o ex-atacante.

Acostumado a disputar e assistir ao confronto no Maracanã, o atacante acredita que o Engenhão não é o palco ideal para o espetáculo. Ainda mais pelo péssimo aproveitamento do Botafogo em casa. Mas, pelo estilo de jogo do Flamengo, pode ser benéfico ao mandante.

O time vem jogando mal no Engenhão. As dimensões são pequenas, os times se fecham aí já viu. Mas o Flamengo precisa da vitória, vai jogar para cima frisou.

No Estadual, o ex-camisa 9 deu a benção ao atacante Victor Simões, que passou a comemorar os gols no estilo de Donizete: rastejando e imitando uma pantera. Mas faz tempo que o novo felino não comemora como o antecessor.

Não tem problema. O importante é que Victor volte a fazer gols. Ele comemora da maneira que puder cutucou.

Trabalhando como supervisor das divisões de base do clube, o ex-jogador gostaria de ter um papel mais ativo no Botafogo. Mas, segundo ele, não há o que reclamar.

Trabalho com a escolinha paga do clube. Recebo em dia então, está bom afirmou.

Estevam tem dúvidas

Talvez se pudesse escalar Donizete, o técnico alvinegro Estevam Soares não teria tantas dúvidas para montar a equipe alvinegra. Após a derrota contra o Cerro Porteño, por 2 a 1, no Paraguai, o treinador decidiu dar folga aos jogadores, para descansar o elenco.

Sexta-feira, o grupo foi dividido em dois. Os jogadores que treinaram no Engenhão eram formados por aqueles que não enfrentam os paraguaios. Em General Severiano, um trabalho regenerativo entre os titulares que não foram poupados, casos de Juninho e Welllington.

Mesmo mostrando grande preocupação com a parte física e deixando de lado os treinos táticos, Estevam não acredita em desvantagem no fôlego das equipes.

O importante era um pijama-treino. Mesmo o Flamengo se preparando uma semana para o jogo, vamos entrar em igualdade de condições ressaltou Estevam, que creditou a impossibilidade de realizar um trabalho tático ao fato de o voo Paraguai-Brasil ter atrasado.

Com a tabela apontando um favoritismo para a equipe de Adriano, os jogadores adotaram o discurso da união faz a força. André Lima, alvinegro declarado, já sabe o antídoto para neutralizar o Imperador e descarta um duelo de artilheiros.

Somos apenas dois. Tomara que ele possa fazer dois gols e eu marque três afirmou André.

A armadilha para inibir Adriano, segundo Estevam, já está definida. Mas os torcedores só vão saber, domingo, às 18h30, quando os jogadores alvinegros entrarem em campo.

Tenho o time definido na minha cabeça. Já sei quem entra jogando e quem vai para o banco. Mas só sai na hora do jogo afirmou o treinador, que sábado comanda treino secreto, a fim de evitar uma década sem vitórias do Botafogo sobre o maior rival no Brasileiro.