Digão passa a ser peça chave no esquema de Cuca

RIO - A estreia não poderia ser pior. Quem afirma é o próprio Digão ao se recordar do jogo com o Boavista, disputado em abril deste ano pela Taça Rio, quando foi expulso em sua primeira partida como profissional do Fluminense. Os olhos brilham com a triste lembrança, mas o sorriso aos poucos toma conta do rosto do zagueiro ao falar sobre a volta por cima e a nova oportunidade diante do Alianza Atlético, do Peru, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana.

O cenário era o mesmo: o Maracanã. Mas seis meses depois, o final foi bem mais feliz para o zagueiro, que saiu de campo com o time classificado para às quartas de final da competição continental e com a sensação de dever cumprido, após uma grande reviravolta na carreira.

- No momento em que fui expulso (aos 11 minutos do segundo tempo) passou um filme muito ruim na minha cabeça. Pensei que nunca mais jogaria pelo Fluminense, que tinha me queimado. Foi terrível, lembro de como fiquei abatido quando vi o árbitro puxando o cartão vermelho na minha estreia como titular no Maracanã. Me abati muito após esse jogo, cheguei a ficar um tempo treinando separado e busquei força na família para conseguir me superar. Antes de enfrentar o Alianza o filme voltou a passar na cabeça. Fiquei pensando que não poderia tomar cartão e graças a Deus deu tudo certo, consegui ir bem e ajudei o time a seguir no campeonato - recordou.

Digão não esperava ser relacionado para o jogo com o Alianza e confessa que chegou a ficar assustado quando participou do treino coletivo entre os titulares.

- Foi um susto. Não esperava ser escalado como titular para enfrentar o Alianza. Mas futebol é assim, jogador tem que estar sempre preparado. No treino coletivo antes daquele jogo o Cuca já me colocou de titular e procurei ficar tranquilo - revelou.

Depois da boa atuação contra os peruanos o desafio foi bem maior: o Flamengo, em jogo muito importante para o Fluminense na briga para se livrar do rebaixamento no Brasileiro. A rivalidade bem conhecida desde os tempos das divisões de base já era suficiente para deixar o zagueiro ansioso, mas a polêmica com o atacante Adriano acabou esquentando ainda mais os ânimos para o clássico. Nas vésperas da partida, foi noticiado que Digão teria desmerecido o jogador rubro-negro e ele fez questão de esclarecer o mal-entendido.

- Logo depois do jogo com o Alianza tínhamos pela frente o Flamengo, um clássico que conheço desde a base. Fiquei ainda mais ansioso por causa da polêmica que criaram com as declarações sobre o Adriano. Houve um mal entendido, nunca quis menosprezá-lo ou me promover. Nem teria como diminuir o Adriano, ele já brilhou na Seleção, está bem no seu clube, sempre faz gols e tem uma qualidade indiscutível. Pensei depois disso que aí mesmo não poderia dar mole para ele de jeito nenhum. Mas infelizmente senti câimbra logo no lance que resultou o segundo gol. Dei o bote no Zé Roberto e senti uma sensação muito ruim, minhas pernas travaram. Como eu não jogava há muito tempo já tinha sentido um pouco contra o Alianza, mas nesse lance foi algo que realmente não pude controlar - lamentou.

Após o jogo com o Flamengo, Digão voltou para o banco de reservas, mas sempre como uma opção que agradava, e muito, o técnico Cuca. Não à toa, analisando os adversários, o comandante tricolor decidiu mudar o esquema tático do 4-4-2, para o 3-5-2, no jogo com o Santo André, com Digão variando de posição em campo. Acostumado a atuar como volante desde 2003, quando jogava pela equipe infantil Tricolor, Digão passou a ser utilizado também um pouco mais avançado, tornando a defesa mais sólida, dando liberdade aos laterais para atacar.

O esquema deu certo. O Flu venceu a equipe Paulista em São Paulo por 2 a 1 e agora deve repetir o esquema contra o Internacional, neste domingo. Após o treino coletivo desta sexta, Cuca conversou a sós com Digão por mais de meia hora e passou instruções de posicionamento ao polivalente jogador, que aos poucos se torna peça chave no time do treinador.

- Fico muito feliz pela confiança que o professor Cuca está depositando em mim. Posso garantir que vou me dedicar muito, desdobrar dentro de campo ara ajudar o Fluminense a sair dessa situação. Sempre joguei como volante e só passei a atuar como zagueiro nos juniores. Me sinto à vontade nas duas posições e faço tudo que tiver que fazer para ajudar o Fluminense. Estou confiante, que juntos e com o apoio da torcida, vamos nos permanecer na série A - comentou.

Digão disse ainda que se sentiu muito emocionado com o apoio dos tricolores no Maracanã e prometeu garra à torcida. - Me senti arrepiado com os tricolores me apoiando durante o clássico. Eles vibravam quando eu roubava as bolas, jogavam junto mesmo, dando força de vontade para eu brigar ainda mais por cada jogada. É uma emoção muito grande, não dá para explicar. Estou muito feliz pelo reconhecimento, pois tenho uma identificação muito grande com o clube. Estou no Fluminense há cinco anos e sempre tive esse sonho. Quero escrever minha história aqui dentro e os tricolores podem esperar sempre muita força de vontade em todas as partidas - finalizou.