O ano da volta por cima

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - No início desta temporada, dois nomes sequer estavam entre os favoritos para conquistar o título da Fórmula 1. Pois é justamente esta dupla que chega, hoje, ao Grande Prêmio do Brasil, às 14h, na disputa pelo taça. O inglês Jenson Button, 29 anos, e o pole position Rubens Barrichello, 37, consolidam um campeonato dos sonhos para a escuderia Brawn, espólio da antiga Honda que só virou realidade no começo deste ano. Até o fim de 2008, Button e Barrichello estavam desempregados. A volta dos veteranos e sua caça ao troféu da Fórmula 1 é a principal atração da prova, esta tarde, no circuito de Interlagos.

Além dos dois, o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, também tem chances de ser campeão mas bem remotas. Na prática, a briga está entre Barrichello e Button, que só precisa de um terceiro lugar para faturar, pela primeira vez, o Mundial de Fórmula 1. O piloto inglês, no entanto, larga na 14ª posição.

Button começou a despontar em 1997, aos 17 anos, sendo o mais jovem piloto a ingressar no Europeu de Super A. No ano seguinte ganhou a Fórmula Ford Britânica, o que lhe garantiu na Fórmula 3 Britânica no ano seguinte. Em 2000, Jenson Button estreou na Fórmula 1. Desde então, passou pelas equipes Williams, Benetton, Renault, BAR, Honda e Brawn GP. O auge veio nesta temporada. Os números explicam por quê.

O inglês competiu, até hoje, em 170 GPs. Soma sete vitórias na principal categoria do automobilismo mundial das quais seis neste ano. Até 2009, o piloto só tinha vencido uma prova na Fórmula 1, em 2006, no circuito da Hungria.

Sendo Button ou Barrichello campeão, o campeonato será marcado pela volta por cima. Os dois integram a Brawn, que nem existia no início do ano. Só tornou-se realidade após Ross Brawn, um dos principais estrategistas na Fórmula 1, ter ficado com o espólio da antiga Honda, com a saída da montadora japonesa da categoria.

Para o brasileiro, Button teve de mostrar na carreira o quanto não era apenas um playboy .

Ele (Button) é uma pessoa do bem, de família, tranquilo. Ele sempre foi bom piloto, mas tinha essa coisa na Inglaterra de ser visto como playboy. Isso deu um tom negativo à carreira dele. Mas ele é ótimo piloto. E, nos dias bons, tem uma velocidade tão boa quanto o Michael (Schumacher) tinha. Ele consegue ser muito rápido.

Barrichello atribui o sucesso da escuderia a Ross Brawn.

A Brawn sempre vai estar competitiva nas mãos do Ross, na minha opinião disse o brasileiro. Ele é um dos melhores, senão o melhor profissional na atualidade.

Auge da carreira

Em sua 17ª temporada na Fórmula 1 e com o recorde de corridas na categoria (286 GPs), Barrichello acredita que está no pico de sua forma e mostra-se confiante.

Por enquanto estou no ápice da performance dentro do carro, da forma física. Na corrida de Cingapura, uma pista ondulada, de noite, umidade extremamente alta, vi todo mundo falando que foi quase o limite do esforço físico. Eu acabei bem garantiu ele. Essa é a primeira vez que tive a liberdade de num carro competitivo fazer o que quero, de lutar por um ideal sem ter que ficar pensando estou trabalhando para alguém .

Barrichello contou que preferia não disputar o título com um companheiro de equipe.

Você está tentando esconder alguma coisa que está lá no computador, não tem (jeito). Sempre gostei de acertar o carro, mas não posso simplesmente achar que sou o dono da bola, e que não aprendo com o outro lado. Eu também aprendo com o que ele faz. Mais do que tudo não é esconder, é manter o olho aberto e tentar entender ambas as situações e no momento certo decidir pelo acerto do carro. Não tem jeito de ser diferente, nem quero, não é o momento para isso.