Brasil desperdiça chances, perde pênaltis e vê Gana festejar título

Jornal do Brasil

CAIRO - Alex Teixeira percorreu metade do campo até a grande área. A decisão nos pênaltis da final do Mundial sub-20 entre Brasil e Gana estava empatada. A sexta cobrança era dele. Alex escolheu o canto direito, chutou e viu o goleiro Agyei espalmar evitando o gol. Logo ele, a grande revelação do Mundial. Logo ele, jogador do Vasco da Gama, sempre provocado pelos rivais pela cruel fama de vice. No pênalti seguinte, Badu deu o título inédito à seleção de Gana, que já tinha sido vice-campeã em 1993 e 2001. No primeiro vice-campeonato, o adversário foi o mesmo Brasil. Dezesseis anos depois veio o troco.

Não era dia da seleção brasileira. Por três vezes o pentacampeonato pareceu próximo. Primeiro, quando Addo foi expulso após carrinho por trás em Alex Teixeira ainda no primeiro tempo. Depois na chance mais clara da partida logo no início da prorrogação quando Agyei, nome do jogo, defendeu chute de Maicon que estava sozinho cara a cara com o goleiro. Por último, na decisão por pênaltis, quando o placar era 3 a 2 para o Brasil e Maicon perdeu a oportunidade de dar o título à Seleção ao isolar a bola à la Baggio. No fim das contas, o jogo terminou em 0 a 0 e a disputa de pênaltis 4 a 3 para Gana.

Douglas chora por substituição

Antes da expulsão de Addo aos 36 minutos, o Brasil já tinha criado algumas boas chances. A melhor delas aconteceu logo aos dez minutos de jogo. O meia Giuliano cobrou falta do canto da área. O chute saiu cruzado, com força, e Paulo Henrique Ganso, na pequena área, por pouco não conseguiu desviar de cabeça para o gol. Três minutos depois, outra boa chance. Diogo lançou, do campo defensivo, Alex Teixeira na entrada da área. Ele tabelou com Alan Kardec e finalizou com força, para defesa de Agyei.

Aos 35, Douglas recebeu de Giuliano na direita, cortou para o meio e chutou forte para nova defesa de Agyei. Curiosamente, com um a mais em campo a partir dos 36 minutos, o Brasil passou a atacar menos. Aos 41 minutos, o técnico Rogério Lourenço pôs Wellington Junior no time e sacou Douglas que, já no banco de reservas, começou a chorar por deixar a decisão.

No segundo tempo, o Brasil mais uma vez foi melhor com mais posse de bola e oportunidades, mas deixou a desejar nas finalizações. Gana, por sua vez, pôs-se a tentar levar o jogo para a prorrogação já que sentia dificuldades com um jogador a menos.

A prorrogação começou com a melhor chance do jogo. Depois de ótimo lançamento de Souza, Alex Teixeira arrancou pela esquerda, entrou na área, foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro. Alan Kardec, sozinho, deixou a bola passar, mas ela chegou a Maicon. Cara a cara com Agyei, ele chutou forte e o goleiro conseguiu espalmar.

Depois de duas horas seguidas de futebol, a partida seria decidida nos pênaltis. Alan Kardec cobrou bem e fez o primeiro. Giuliano também conferiu, tal como Douglas Costa. Do lado de Gana, Ayew e Inkoom converteram mas Mensah desperdiçou. Rafael fez boa defesa e voltaria a defender o próximo pênalti cobrado por Addae. No entanto, Souza não marcou e Maicon também perdeu. Depois das cinco cobranças, Agyei defendeu a cobrança de Alex Teixeira e Badu acabou com o sonho brasileiro. Festa de Gana no Egito.

Alex Teixeira recebe o prêmio Bola de Prata

Alex Teixeira foi o grande destaque da seleção brasileira no Mundial Sub-20. Não à toa, o meia recebeu o prêmio de bola de prata do torneio. Giuliano ficou com a Bola de Bronze e Dominic Adiyiah, de Gana, artilheiro da competição com oito gols, ficou com a Bola de Ouro. Emocionado, Alex comentou sobre a partida.

A gente lutou, batalhou até o final, mas não conseguimos sair com a vitória. Agora é receber esse segundo lugar triste, mas com a certeza de que fizemos o nosso melhor. Tivemos vontade, raça, habilidade. Só faltou capricho na hora do pênalti. E perder nos pênaltis é complicado disse, em entrevista ao SporTV.

Rafael lamenta derrota

O goleiro Rafael, que pegou dois pênaltis, também lamentou o vice-campeonato.

Aqui é um grupo que se ganha e se perde junto. Tenho certeza de que todos como eu fizeram o melhor para acertar. Fico feliz de poder ter defendido dois pênaltis, mas triste por não levar esse título para o Brasil explica.

O meia Giuliano, eleito o terceiro melhor jogador do torneio, ressaltou a boa forma física dos adversários.

Tentamos de todos os jeitos, demos o nosso melhor, tentamos rodar a bola, mas eles têm uma equipe com ótima força física.