Em crise pós-golpe, Honduras comemora vaga na Copa do Mundo

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TEGUCIGALPA - Gritos de alegria e bandeiras sendo agitadas substituíram na noite de quarta-feira as manifestações políticas e as bombas de gás lacrimogêneo nas ruas de Tegucigalpa, que deixou temporariamente em segundo plano a crise institucional para comemorar a classificação para a Copa do Mundo de 2010.

Desde o golpe militar de 28 de junho, Honduras se acostumou a toques de recolher, restrições à imprensa e distúrbios em passeatas. Mas desta vez o que se viu foram eufóricas celebrações e o disparo de rojões depois da vitória de 1 a 0 sobre El Salvador.

Em combinação com o crucial gol do último minuto dos EUA contra a Costa Rica, o resultado garantiu a ida de Honduras a uma Copa pela primeira vez desde a inédita participação de 1982.

- Neste momento esquecemos tudo isso de crise, estamos só comemorando. Estou feliz demais! - gritou Marlon Ramos, 23 anos, pulando numa alameda repleta de torcedores na capital.

O presidente de facto do país, Roberto Micheletti, decretou feriado nacional na quinta-feira.

- Os gringos cassaram nossos vistos, mas nos deram um visto para a Copa do Mundo - disse Micheletti pela TV, referindo-se a restrições impostas pelo governo dos EUA aos integrantes do seu governo.

À primeira vista, o veterano político nomeado pelo Congresso para a Presidência parece ter se beneficiado mais com a classificação do que o seu maior rival, o presidente deposto Manuel Zelaya. Micheletti foi entrevistado por vários canais de TV e cumprimentou os integrantes da seleção.

O presidente de facto disse que, apesar do feriado nacional, as negociações com os representantes de Zelaya prosseguiriam na quinta-feira.

Zelaya está há três semanas refugiado na embaixada do Brasil, desde que voltou clandestinamente do exílio que lhe foi imposto pelos golpistas.

O presidente deposto assistiu ao jogo na embaixada e abraçou seguidores depois da classificação, segundo uma testemunha da Reuters. Mas ele não apareceu na imprensa, majoritariamente favorável a Micheletti.

Apesar da emoção, o estudante Ramos disse que a crise política está longe de ser resolvida.

- Temos de encontrar uma solução real para isso, mas por enquanto estamos simplesmente felizes de que iremos ao Mundial - disse ele, agitando uma camiseta sobre a cabeça.