Ônibus a biocombustível pode ajudar os Jogos verdes

André Balocco, Jornal do Brasil

CURITIBA - Se o Rio quiser retomar a fama de vanguarda dos tempos de capital, terá de acelerar seus projetos. A mais nova menina dos olhos da administração municipal de Curitiba são os ônibus movidos a biocombustível que servem à Linha Verde, cuja parte Sul foi inaugurada há dois meses. Neste corredor, construído sobre o leito da antiga BR-116, está um projeto pioneiro que pode se espalhar pelo país: o uso de combustível de fonte renovável e pouco poluente. Com o biocombustível, feito à base de soja, os seis ônibus do corredor reduzem a emissão de gases em até 25% sem perder a potência dos motores.

Os ônibus vêm sendo monitorados pelas suas fabricantes (Volvo e Scania), que radiografam os motores e verificam os eventuais desgastes das peças dos mesmos, aprimorando-as em seus laboratórios a partir dos resultados. A troca de óleo do carter, que em diesel comum é feita a cada 10 mil kms rodados, com a soja tem de ser feita em 5 mil, por exemplo. A experiência vai durar um ano e meio.

Optamos pela soja porque óleo de mamona se mostrou comercialmente inviável narra Élcio Luiz Karas, da Urbs, um dos palestrantes do 17º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, em Curitiba. A soja custa R$ 2,20 o litro e por isso subsidiamos o produto. Mas, em 10 anos, creio, toda a frota de Curitiba será movida a biocombustível e isto barateará os custos, pois a produção será em larga escala.

Karas fala em coletar o óleo de cozinha despejado pelo curitibano na rede coletora de esgoto estimado em cerca de 400 mil litros e reaproveitá-lo num futuro próximo. Ele admite que ainda não há qualquer plano específico para tanto, mas sabe que será preciso criar uma usina para separar a gordura animal da gordura vegetal, já que a primeira prejudica o desempenho dos motores, indicaram os testes.

Estamos analisando os danos do biocombustível para os motores, mas sabemos que a gordura animal causa um grande desgaste nas peças. Coletando o óleo de cozinha utilizado e reaproveitando-o, ainda retiramos do leito dos rios esta sujeira.

Ele acredita que, mesmo enfrentando os engarrafamentos cariocas, caso o caos continue imperando no sistema de trânsito do Rio, os ônibus movidos a biocombustível se sairiam bem. As pesquisas dos fabricantes se voltariam para motores com logística de usar a todo instante as primeira e segunda marchas, típicas de congestionamentos. E a poluição reduziria bastante, pois o momento em que á a maior emissão de gases num ônibus é na arrancada.