Olimpíadas-2016: afirmação da juventude

Jornal do Brasil

RIO - Na sexta-feira, o Rio saberá se terá o direito de receber os Jogos Olímpicos pela primeira vez. O ineditismo é a principal aposta da candidatura brasileira para a edição de 2016. O discurso é repetido desde o início do projeto carioca: ser a primeira cidade da América do Sul a abrigar a competição. Dos países latinos, apenas o México, em 1968, foi sede. O Rio tentou em duas ocasiões, para os Jogos de 2004 e 2012, mas nem chegou à fase final de escolha. Desta vez, alguns fatores impulsionaram a postulação da cidade: um dossiê mais completo, de acordo com as exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI); a participação ativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e a solidez da economia brasileira. E um ponto novo: a juventude.

O Rio está pronto para os Jogos. O projeto inspira a juventude e está completamente de acordo com as demandas para uma cidade receber a Olimpíada disse o presidente do comitê da candidatura carioca, Carlos Arthur Nuzman. Temos apoio de 85% da população do Rio. As pessoas estão muito animadas diante da possibilidade de a cidade sediar a competição pela primeira vez.

Segundo o dirigente, o Rio-2016 contempla não apenas os aspectos esportivos. Nuzman ressalta que se trata de um plano para transformar a infraestrutura da cidade. Do orçamento de R$ 28,8 bilhões previstos, quase R$ 24 bilhões estão destinados para obras como ampliação de aeroportos, expansão do metrô, reordenação de transportes e despoluição da Lagoa e da Baía de Guanabara.

O plano de ação dos Jogos é o plano de ação da cidade. A população irá se beneficiar da reorganização urbana, incluindo melhorias no transporte e na rede hoteleira, por exemplo explicou Nuzman. São projetos de infraestrutura que estão incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal).

Em termos esportivos, o maior legado, diz Nuzman, é o Centro de Treinamento Olímpico, na área onde funciona o autódromo e que já conta com parque aquático, arena e velódromo, todos usados no Pan-2007. A pista de automobilismo, pelo projeto, será desativada, e ganhará outras instalações esportivas, que, após os Jogos, se tornariam centros de treinamento e formação de novos talentos do esporte. Seriam usadas não apenas por atletas brasileiros, mas em programas de intercâmbio com países sul-americanos. Também no esporte, assim como ocorre na política, o Brasil se insere como ponto de união da América do Sul.

Outra concepção

Nuzman contou que o projeto atrela o esporte à juventude, algo que passou a ser valorizado pelo COI nas últimas escolhas olímpicas. Prova disso, diz o dirigente, é o plano para as competições de BMX, mountain bike e canoagem, no chamado X Park, o parque das modalidades radicais, na Barra, num terreno próximo ao Riocentro.

Planejamos o desenvolvimento disso numa área crescente do Rio. E isso, certamente, irá aproximar a Olimpíada mais ainda dos mais jovens. O X Park é uma nova concepção dos Jogos, com esporte, música e a inspiração dos jovens. Ainda pretendemos ter o Olympic Live, projeto que é um dos pontos-chave da candidatura. Trata-se da criação de uma rede de 15 pontos, dos quais, dois em cada continente, contemplando os jovens e o esporte.

Para levar a juventude aos Jogos, o Rio prevê ingressos mais baratos que as concorrentes. Isso chama a atenção principalmente em torneios de modalidades não populares no país. É a garantia de que não haverá sedes vazias nos Jogos.

O Rio-2016 investiu pesado na Vila Olímpica (nos arredores do Riocentro), pensando no máximo bem-estar dos atletas, que contarão com toda a infraestrutura necessária. Até praia particular, eles terão.

Nuzman destaca o comprometimento dos três níveis de governo. Na semana passada, o Senado aprovou projeto do presidente Lula prevendo o repasse automático de verba federal em caso de buracos no orçamento do comitê organizador dos Jogos. É mais um trunfo e exigência do COI da candidatura carioca para vencer a disputa.

Nossa postulação já conta com investimento governamental de R$ 1,2 bilhão, o que significa que o Rio-2016 poderá começar a funcionar logo após a escolha da sede, sem necessidade de patrocínios ou empréstimos bancários. Muita da infraestrutura da cidade estará pronta para a Copa de 2014. Ou seja: se o Rio receber a Olimpíada de 2016, a cidade estará pronta, pelo menos, com dois anos de antecedência.