Mountain Bike: conexão Bratislava-Rio

Rafael Gonzalez, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Com uma bandeira da Eslováquia no uniforme, Filip Polc desce as escadarias do Morro Dona Marta a toda velocidade em sua bike. A distância de aproximadamente 10 mil quilômetros entre Rio e Bratislava, capital eslovaca, não é maior do que o choque cultural que se estampa nos olhos azuis do ciclista diante do que vê por aqui. Pedalando desde os 6 anos, Filip, agora com 27, coleciona desempenhos excepcionais em competições de Mountain Bike. É o atual campeão europeu e costuma praticar corridas de rua em Lisboa uma vez por ano. Mas algo parecido com a pista do Dona Marta onde acontece hoje, às 10h, o evento Red Bull Desafio no Morro ele nunca tinha visto.

Isso aqui é muito diferente. Tem locais bem apertados e outros que renderão belos pulos. Esta corrida será especial - conta.

Diferença será algo constante durante a curta passagem de Filip no Rio. É a primeira vez que o atleta vem à cidade e, mesmo sem ter tido tempo de conhecer muita coisa, ele já consegue estabelecer boas distinções entre seu pequeno país natal e o enorme Brasil.

Onde vivo não há praias, inverno significa muita neve e tudo funciona em outro estilo. Em geral, dos lugares que conheci, gostei mais daqueles localizados na América do Sul. Não gosto de ambiente urbano. Prefiro a natureza: montanhas e ar fresco explicou, antes de contar sobre as paisagens eslovacas. Fomos um país comunista por muito tempo. Por isso, toda nossa arquitetura é muito simples. Tudo é bem uniforme. Há muitos castelos e construções históricas também.

Talvez por essa diferença Polc se diverte muito com as paisagens da comunidade carioca e, ao ver passar uma garota em trajes desinibidos, não hesita.

Passe-me a câmera! Preciso fotografar isso exclamou, bem-humorado.

A Eslováquia, com território de 49 mil quilômetros quadrados, abriga pouco mais de cinco milhões de habitantes. O Brasil tem oito bilhões de quilômetros quadrados e beira os 200 milhões de habitantes. Ainda assim, há coisas em comum entre os países.

A minha cidade é bastante turística. Pessoas de todo o mundo vão a Bratislava todos os anos. Temos resorts nas montanhas, muitos querem esquiar por lá no natal e o principal: dizem que as mulheres eslovacas são as mais bonitas da Europa. Não tenho motivos para duvidar disso - afirma sorrindo.

Futebol é popular na Eslováquia

Filip lembra que futebol também é o esporte número um na Eslováquia, embora não seja muito a sua praia.

Odeio futebol! Ele leva todo o dinheiro e não sobra nada pra gente brinca, referindo-se a investimentos e patrocínios. Mas não tem jeito. É um esporte que todos gostam muito lá. Outro que é praticado a exaustão é o hóquei no gelo.

Quanto ao que se ouve na Eslováquia sobre o Rio, Filip ignoraria o assunto violência urbana se não fosse incitado a falar sobre isso.

O que se fala sobre a beleza e as paisagens daqui estão acima das notícias sobre violência. Da minha ótica, isso (violência urbana) é um problema comum às grandes cidades de todo o mundo. Ninguém está livre de ser roubado em qualquer lugar. Ontem, andei sozinho pela rua com dinheiro no bolso e ninguém me incomodou. Na Europa, há violência também.

O motociclista não larga seu objeto de trabalho nem por um minuto e faz manobras extraordinárias parecerem fáceis. Mas há um preço alto que se paga por toda essa técnica.

Já quebrei os pulsos, os ombros, a perna, as costelas e há seis semanas quebrei o pescoço na Áustria. Inclusive não estou 100% para essa competição aqui no Rio, já que fiquei sem sentir meu braço esquerdo por muito tempo revela o atleta.

O simpático europeu não esconde a satisfação ao montar sua bike e deixou claro pouco se importar com a recente lesão. Diversão, para ele, é sinônimo de desafio. Quanto maior, melhor.

Eu amo essas corridas, então tanto faz para mim se estou ou não 100%. Quero vencer aqui no Rio, isso é o que importa.