Gordinho tenta resgatar prestígio dos pesados do boxe nos EUA

Fábio de Mello Castanho, Portal Terra

NOVA IORQUE - Palco das principais lutas da história do peso pesado do boxe, os Estados Unidos vivem um marasmo de ídolos e combates de primeira linha da categoria. O desespero é tamanho que o pugilista Chris Arreola, de origem mexicana, golpes potentes e condição física visivelmente prejudicada, virou o maior candidato a tirar o país das trevas na categoria mais prestigiada do boxe.

Neste sábado, Arreola enfrentará o ucraniano Vitali Klitschko em Los Angeles, em busca não só do cinturão do Conselho Mundial de Boxe (WBC), mas com a pressão de acabar com o domínio do Leste Europeu no peso pesado. Além de Vitali, seu irmão Wladimir Klitschko e o russo Nikolay Valuev concentram os principais cinturões da categoria.

Em ringue, os americanos verão um lutador que ainda tem muito a provar. Os números do invicto Arreola (27 vitórias, com 24 por nocaute) impressionam, mas faltam adversários expressivos no seu cartel. Sem alternativas, sobrou para o lutador de origem mexicana tentar recolocar o país na geografia da categoria.

- Eu tenho orgulho de ser americano. Como você pode ver, eu tenho uma Estátua da Liberdade tatuada aqui. Eu sempre digo: meus parentes vieram para cá me para me dar uma vida melhor. Eu sou tão grande porque nasci aqui. A comida que eles me davam na escola era ótima, com nutrientes, e eu comia tudo - disse Arreola, em relação àquela que tem sido sua principal tarefa nas entrevistas pré-luta: provar que é mais americano do que mexicano.

Em busca de uma forma física melhora para o combate, o americano argumenta que o seu porte físico dificilmente parecerá ideal aos olhos alheios. A sua meta era atingir cerca de 250 libras (cerca de 113 kg), sem a ilusão de ter um corpo esperado para um esportista.

- As pessoas realmente não vão me ver em boa forma. Eu entendo isso. Eu criei isso para mim. Ninguém mais do que eu se culpa por isso - disse o pugilista, que na pesagem oficial registrou 251 libras, apenas uma mais do que seu rival.

Os Estados Unidos não têm um campeão do peso pesado desde 2007, quando Shannon Briggs conquistou o cinturão da Organização Mundial de Boxe. Outros campeões recentes, como John Ruiz, Chrys Byrd e Hasim Rahman, estão longe no quesito popularidade de nomes como Muhammad Ali, Joe Louis e Mike Tyson.

Para aumentar o jejum americano, estará do outro lado do ringue um pugilista com apenas duas derrotas na carreira e um impressionante aproveitamento de 92,3% de nocautes (36 de suas 37 vitórias acabaram antes do estipulado). Não perde desde 2003, mas ficou quatro anos sem lutar em decorrência de lesão uma breve aposentadoria.

Desde a sua volta, bateu o nigeriano Samuel Peter e o cubano Juan Carlos Gomez por nocautes no nono assalto. Mais eficiente do que brilhante, Klitschko conta com uma forma física exemplar e exigirá de Arreola um desempenho ainda não visto em sua carreira.