ASSINE
search button

Nelsinho bateu de olho em contrato, diz revista

Compartilhar

Jornal do Brasil

LONDRES - O suposto escândalo envolvendo a Renault e o piloto Nelsinho Piquet ganhou novos capítulos. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) abriu investigação para apurar se o brasileiro recebeu ordens da equipe para provocar uma colisão durante o Grande Prêmio de Cingapura do ano passado. Pouco antes da batida, o outro piloto da equipe, o espanhol Fernando Alonso, teria reabastecido seu carro. No momento em que Nelsinho bateu, e o safety car entrou na pista, o carro de Alonso tinha mais combustível que o dos adversários. O espanhol venceu a corrida cingalesa. Nelsinho teria sido ordenado para favorecer Alonso.

Nesta quarta-feira, a revista inglesa Autosport, uma das mais conceituadas na cobertura da Fórmula 1, publicou que Nelsinho aceitou bater propositalmente, seguindo as ordens da Renault, de olho na renovação de seu contrato com o time. Àquela altura, o vínculo, que vencia no fim da temporada passada, não estava mantido para 2009.

Ainda de acordo com a Autosport, Nelson Piquet, pai de Nelsinho, teria procurado o presidente da FIA, Max Mosley, antes da última corrida do filho pela Renault, na Hungria, para revelar a história. Isso, segundo revista, teria feito a FIA abrir investigação. Executivos da equipe francesa serão ouvidos em audiência no dia 21, em Paris.

Piquet pai teria feito denúncia

No encontro com Mosley, Piquet, que estaria acompanhado de Nelsinho, teria apresentado documentos que provariam a fraude. Ainda segundo a revista, Nelsinho teria dito ao presidente da FIA que aceitou fazer parte da tramoia porque se sentia desconfortável na equipe, ainda sem o contrato renovado.

A Autosport também publicou declarações do chefe da Renault, Flavio Briatore. Ele disse que a ideia da colisão partiu de Nelsinho. Fontes citadas pela revista afirmaram que, numa reunião no escritório da equipe no paddock do circuito de Cingapura, teria sido decidida a estratégia de beneficiar Alonso.

Eu confirmo o encontro com Piquet no domingo de manhã, mas não houve nada que já não tivesse sido conversado antes disse Briatore à Autosport. Também lembro que o Piquet estava em um estado mental muito frágil em Cingapura. Além disso, há gravações de áudio onde eu expresso o desapontamento quando vejo as cenas da batida dele.

O diretor de engenharia da Renault, Pat Symonds, confirmou que, antes da prova, veio à tona a proposta de Nelsinho bater intencionalmente para o safety car entrar na pista durante a corrida. Mas, disse Symonds à revista inglesa, a ideia foi dada por Nelsinho Piquet.

Nelson e Nelsinho teriam informado a Max Mosley que, da conversa, surgiu a ordem para o brasileiro provocar o acidente na 13ª ou na 14ª volta. Assim, Alonso teria feito a parada nos boxes para reabastecimento antes. O espanhol voltaria à pista com tanque cheio, uma vantagem sobre os rivais.

Nelson Piquet e Nelsinho não comentaram a reportagem.