Organização pede fim de perguntas sobre problemas de segurança

Allen Chahad, Portal Terra

JOHANNESBURGO - Após o último encontro entre a Fifa e o Comitê Organizador local durante a Copa das Confederações, que serve de teste para a estrutura da Copa do Mundo de 2010, os cartolas evitaram comentar os problemas de segurança na África do Sul. Nesta sexta-feira, em Johannesburgo, o CEO dos organizadores, Danny Jordaan, pediu inclusive o fim das perguntas sobre o assunto.

- Eu não entendo. Eu estive nos estádios, as pessoas andam tranquilamente. Não é a primeira vez que vocês perguntam isso. Vocês perguntam sobre segurança em todas as vezes. Podem fazer outra pergunta? - disse Jordaan em tom de apelo.

Alguns membros do Comitê Organizador ensaiaram uma salva de palmas nos bastidores, mas poucos aderiram. Em seguida, outro jornalista pediu que o CEO dos organizadores respeitasse o interesse da mídia em qualquer assunto.

- Queremos ler uma diversidade de assuntos nos jornais de vocês - justificou Jordaan, visivelmente constrangido com a situação. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, presente no encontro, preferiu ficar em silêncio.

Os problemas de segurança geram polêmica durante a realização da Copa das Confederações. O chefe da delegação do Brasil, coronel Antônio Nunes, por exemplo, disse que não aprovava o quesito no país e avisou que não pretende levar seus familiares para o Mundial do ano que vem, por medo.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, desaprovou as declarações do chefe de delegação do Brasil. O cartola preferiu defender os sul-africanos e dizer que se sente confortável viajar com seus familiares ao país.

Houve casos de furtos em quartos das delegações do Egito e do Brasil. Em conversas com habitantes das cidades, os visitantes são aconselhados a tomar muito cuidado nas ruas, principalmente durante as noites. Recente pesquisa divulgada pelo próprio governo sul-africano mostrou que um em cada quatro homens do país confessa já ter estuprado uma mulher.