Falta no fim do jogo ainda é tormento para capitão da África do Sul

Thales Soares, Jornal do Brasil

JOHANESBURGO, ÁFRICA DO SUL - Crucificado por lances capitais nos confrontos contra Espanha e Brasil, o zagueiro Aaron Mokoena, capitão da seleção sul-africana, ainda convive com o peso da falta cobrada pelo lateral brasileiro Daniel Alves. Foi Mokoena quem derrubou Ramires, perto da área, no lance que selou a eliminação da África do Sul nas semifinais da Copa das Confederações. Domingo, às 10h, diante dos torcedores no estádio de Rustenburg, ele terá a chance de se redimir. Diante do ataque espanhol, o sul-africano tentará garantir o terceiro lugar para a seleção anfitriã do Mundial-2010.

Mokoena sofreu críticas de todas as partes depois da eliminação na semifinal contra o Brasil. Ele foi o autor da falta em Ramires, que resultou no gol de Daniel Alves, aos 44 minutos do segundo tempo, num jogo em que a África do Sul conseguiu equilibrar as ações. Contra a Espanha, a bola havia sido desviada por ele no segundo gol da derrota por 2 a 0 na primeira fase.

Técnico do Jomo Cosmos, time de origem de Mokoena, Andrew Rabutta teve a oportunidade de jogar ao seu lado tanto no clube quanto na seleção. Ele confia na recuperação do jogador, além de deixar de lado qualquer crítica contra as suas últimas atuações.

Para mim, ele foi o melhor jogador em campo no jogo contra o Brasil. Ele é um grande jogador, um ótimo garoto e vai se recuperar. Não à toa que joga na Europa. Ao contrário do que estão fazendo, deveriam apoiá-lo comentou Rabutta. São coisas do futebol. O Booth, por exemplo, não jogou bem e Mokoena precisou cobri-lo várias vezes, mas ninguém fala.

Booth é o único branco no time titular da África do Sul que enfrentou o Brasil nas semifinais.

Rabutta lembra a importância da família num momento como esse. Segundo ele, a mãe de Mokoena conversou com o jogador na semana passada. Ele tem apenas uma irmã mais nova e carrega toda a atenção dos parentes.

A mãe dele falou para que não baixasse a cabeça comentou Rabutta. Podem falar o que quiser. Mokoena parou o Robinho. Ele tem que ficar focado no seu jogo que vai se recuperar contra a Espanha.

Desde o começo da carreira, Mokoena precisou vencer desafios. Quando chegou ao Jomo Cosmos, era muito jovem e pequeno para um zagueiro. Conseguiu se impor com o tempo e disputou a Copa do Mundo de 2002, com 21 anos.

Ele sempre falava em jogar na Europa. Ficou apenas um ano no Cosmos e foi embora. É um bom aluno e aprende sempre disse Rabutta, que vive a expectativa de um grande desempenho da África do Sul na Copa do Mundo. Enfrentamos as melhores seleções do mundo de igual para igual.