ASSINE
search button

Joel Santana dá show de gestos e caretas em vitória da África do Sul

Compartilhar

Celso Paiva e Allen Chahad, Portal Terra

JOHANNESBURGO, ÁFRICA DO SUL - Tarde de sábado em Johannesburgo, oito dias antes da estréia da África do Sul na Copa das Confederações. A seleção dona da casa tem o último amistoso de preparação, desta vez com a Polônia. No Orlando Stadium, dentro de Soweto, encosta às 13h40 (horário local) o ônibus com Bafana Bafana - apelido do time - cravado na lateral. Logo após os seguranças, desembarca Joel Santana. Na mão esquerda, sua inseparável companheira, a prancheta. E puxa a fila para os vestiários.

O treinador brasileiro reaparece pouco antes do início da partida já no campo de jogo. Vai até o banco de reservas e se separa brevemente da companheira durante a execução do hino nacional. Ele fica de pé, mãos para trás. Ela descansa no banco.

Joel é cercado por fotógrafos e cinegrafistas nos momentos que antecedem o apito inicial. Fica quase imóvel. O telão do estádio mostra um close no rosto sério do brasileiro. Bola rolando, primeira ação do treinador é levantar do banco para comemorar. Thembinkosi balança a rede logo aos 6 minutos. Joel abraça membros da comissão técnica. Depois fala sozinho, vibra solitário. E recebe um abraço respeitoso do autor do gol.

Aos 17 minutos do primeiro tempo, levanta pela primeira vez para passar instruções. Coisa rápida. Volta para o banco e continua o interminável bate-papo-análise com o auxiliar Jairo Leal. Coloca os óculos e tem a prancheta em mãos de novo. Anotações e mais anotações.

Falta clara não marcada pela arbitragem a favor da África do Sul, aos 24. Joel leva a prancheta para participar da reclamação. Dá um pique até a beira do gramado, abre os braços. Protesto silencioso, faz pose para o juiz ver. Dez minutos mais tarde, a queixa é bem menos silenciosa. Aos berros, mostra que seu jogador teve a camisa puxada. Show de imitação.

Enquanto Joel grita, quem passa orientações detalhadas aos jogadores é um membro da comissão técnica. Mas o brasileiro se acalma e resolve conversar sem intermediários com Parker, melhor jogador em campo. O atleta acompanha os gestos do comandante e responde com sinal de positivo.

Fim de primeiro tempo, Joel deixa o campo falando sozinho. Reclamando.

No segundo tempo, o treinador parece mais calmo. Sua principal atuação é ao 22 minutos, quando a Polônia tem falta perigosa para cobrar. O chute adversário é interrompido no meio do caminho por Sibaya, que invade o limite demarcado pela arbitragem para a barreira. O juiz deixa o jogo seguir. Joel caminha calmamente de volta ao banco com um silêncio cúmplice da malandragem de seu jogador.

A tranqüilidade do brasileiro vai embora aos poucos. Aos 23 minutos, coloca as duas mãos no rosto para lamentar um lançamento errado. Três minutos depois, chama Mhlongo para instruções. Grita, mostra números e movimentos com as mãos. O meio-campista faz cara de dúvida e volta para o jogo.

Jogo caminha para o fim, aos 29. Hora de uma substituição. Joel pede para Tshabalala tirar o colete. Depois percebe que o reserva também usa uma blusa. O técnico arranca o agasalho na força, bagunça as trancinhas do cabeludo. Quem passa orientações são os outros três membros da comissão técnica.

Aos 35 minutos, abandona de vez o banco e comanda a equipe nos gestos. Por três vezes é advertido pela quarta árbitra Dedré Mitchel. Sorri, aponta e explica que a área técnica do estádio é muito pequena. É agarrado pelo auxiliar Jairo Leal, que puxa o treinador pela blusa de volta para o gramado demarcado.

Apito final! Torcida aplaude... Joel retribui. Vai até a beira da arquibancada e sorri para os fãs mais próximos. Mostra a prancheta, a inseparável. Bate com a outra mão e aponta o símbolo da seleção sul-africana. Momento de carinho entre Joel, a prancheta e a torcida.