Messi comanda o Barcelona e põe a mão no prêmio de melhor do ano

Jornal do Brasil

ROMA, ITÁLIA - A final da Liga dos Campeões esteve longe de ser um confronto equilibrado. Com um toque refinado e um gol logo aos 10 minutos de jogo, o Barcelona dominou completamente o então campeão Manchester United, venceu por 2 a 0 no Estádio Olímpico de Roma e deixou o argentino Lionel Messi, autor do segundo gol, com a mão no prêmio de melhor jogador do ano da Fifa, algo inédito para o seu país, representado nos seus pés por uma chuteira azul, com detalhes em preto e branco, como a camisa da seleção da Argentina.

Messi vai destronar o português Cristiano Ronaldo, que nesta quarta-feira perdeu a cabeça e poderia até ter sido expulso depois do segundo gol do Barcelona. Não via na derrota apenas a perda de um título, mas da coroa de melhor do mundo. Ele até começou bem o jogo, com duas boas jogadas em que, por pouco, não abriu o placar para o Manchester United.

A equipe estava bem até a hora do gol, eu estava me sentindo bem. Mas depois do gol ficou complicado para jogar futebol afirmou, negando uma rixa com Puyol e sem querer falar sobre seu futuro.

Bastou o primeiro ataque do Barcelona para o jogo mudar. Iniesta começou a jogada e entregou para Eto'o, dentro da área. O atacante camaronês deu um belo drible no zagueiro Vidic e, de bico, fez 1 a 0, aos 10 minutos.

São coisas da vida, mas lá em cima há um Deus justo. Eu vinha perdendo algumas chances ou não marcava tantos gols quanto podia. Mas o desta final chegou no momento mais importante, pois nos colocou na frente. Estou feliz porque a equipe merece esta conquista disse ao Canal Plus.

O gol de Eto'o abriu caminho não só para a conquista da Liga dos Campeões, mas uma histórica temporada do Barcelona. O capitão Puyol pode levantar a terceira taça do time, que conquistou com autoridade a Copa do Rei e o Campeonato Espanhol, sempre comandado por Guardiola, que entrou para a história ao se tornar o sexto campeão como técnico e jogador.

Fizemos de tudo para vencer. Tentamos ganhar todos os títulos, conseguimos e, por isso, esta é uma temporada histórica. Dedico isso à torcida, que lutou e sofreu tanto quanto nós disse Puyol.

O Barcelona dominou completamente o jogo. Poucos foram os momentos em que o Manchester levou perigo. Cristiano Ronaldo extravasou sua decepção com jogadas mais ríspidas e reclamações com o árbitro. Rooney ficou apagado a maior parte do tempo e não houve quem tirasse do jogadores do time espanhol as rédeas do jogo.

Faltava o brilho do futuro melhor jogador do mundo. Messi ainda vai completar 22 anos em 24 de junho deste ano. Criado nas categorias de base do clube, carrega com ele a ideologia catalã e o amor do argentino por seu país. Mesmo marcado, não foge de sua responsabilidade. Com Xavi como excelente coadjuvante, pôde fazer a festa da torcida com o segundo gol, aos 25 minutos, numa cabeçada consciente, que encobriu o goleiro Van der Sar e deu a certeza de que a conquista estava sacramentada.

Cristiano Ronaldo ainda deu o ar de sua graça. No ataque seguinte, teve uma chance de ouro para diminuir a vantagem do Barcelona e colocar fogo no jogo. Mas, com a bola dominada na pequena área, parou no goleiro Victor Valdés, que saiu com perfeição, fechando o ângulo do atacante português.

Coincidência ou não, esta foi a primeira temporada do Barcelona sem Ronaldinho Gaúcho, que liderou o time na conquista da Liga dos Campeões em 2006. Na época, já jogava ao lado de Messi, que aumenta seu currículo de títulos com uma idade inacreditável também terminou a competição como artilheiro, como nove gols.

Este ano, apenas dois brasileiros atuaram na final: Sylvinho, pelo Barcelona, e Anderson, pelo Manchester. Daniel Alves, titular do time espanhol, ficou fora por suspensão.

Longe do rival

A conquista celebra um momento de glória para o futebol espanhol. O país é o atual campeão da Eurocopa. Mas o Barcelona ainda está longe de alcançar o Real Madrid, que tem nove títulos da Liga, seis a mais.

Fico feliz, sobretudo, por Puyol, que fez uma tremenda partida. É o melhor time do mundo. Vai ser difícil voltar a ver este triplo título. Disse a (Michel) Platini (presidente da Uefa) que vamos ao Mundial (de Clubes) acrescentou o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero.