Diguinho não presta queixa e advogado do Flu elogia tiros para o alto

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO - A relação cada vez mais entrelaçada entre diretoria e jogadores do Fluminense com as torcidas organizadas dificulta o trabalho dos policiais e sinaliza que as cenas de terça-feira podem se repetir sem que novamente nada aconteça aos responsáveis. Protagonistas das cenas de selvageria nas Laranjeiras, os arruaceiros, majoritariamente sócios e de torcidas organizadas, ainda não foram identificados pela polícia. Para piorar, Diguinho, agredido por Leandro Carvalho, líder da torcida Young Flu, preferiu não prestar queixa. Com isso, as investigações se concentram apenas no autor dos disparos para o alto, um amigo do goleiro Fernando Henrique.

Nossa prioridade é saber quem efetuou os disparos disse Renata Teixeira de Assis, delegada da 9ª DP (Catete) que cuida do caso e que até a tarde desta quarta-feira não sabia o nome do agressor do volante Diguinho.

Em setembro de 2008, o presidente Roberto Horcades confirmou ceder ingressos às facções organizadas. Segundo ele, pai de quatro filhos, não havia segurança suficiente que lhe permitisse cortar as cortesias. Admitiu que o medo era o maior obstáculo quando o assunto são esses torcedores. Procurado nesta quarta pelo JB, o presidente cardiologista disse estar envolvido em uma cirurgia e se calou.

O funcionário Carlos Leite, responsável pelo controle e distribuição das cortesias para as organizadas, também não quis dar declarações sobre a quantidade de ingressos destinada às facções.

A torcida pode ir protestar. Desde que seja de forma pacífica. A sede das Laranjeiras continua aberta para os torcedores disse o advogado criminalista Sérgio Riera, que representa o clube no caso.

Nesta quarta, enquanto inspetores e a delegada colhiam informações no clube, a segurança não foi reforçada. Tanto que dois torcedores foram cobrar de Parreira, que pacientemente ouviu as críticas da dupla.

Segundo integrantes de uma das torcidas organizadas, alguns componentes teriam combinado de frequentar casas noturnas em busca de atletas do clube. Talvez temendo represália, Diguinho resolveu não prestar queixa. Como os momentos da agressão foram registrados apenas pelos repórteres fotográficos, as imagens não podem ser usadas para incriminar o agressor.

Diguinho disse no depoimento que conseguiu se esquivar. Por isso, resolveu não prestar queixa explicou o advogado Sérgio Riera.

A delegada Renata explicou que sem o relato da vítima o agressor não pode responder pelo crime. Já o goleiro Fernando Henrique, também intimado a depor, confirmou ser amigo de Robson Oliva, autor dos disparos. Mas o jogador negou que o atirador seja seu segurança. Por incrível que pareça, o clube defendeu os disparos em pleno gramado.

Graças a Deus ele atirou. Se o Robson não efetua os disparos, poderia ter ocorrido uma tragédia maior. Imagina 70 torcedores partirem para cima de 20 jogadores? frisou Sérgio Riera, que exagerou no número de invasores.

O atirador se apresentou espontaneamente à delegacia. Segundo informações extra-oficias, ele seria despachante. Robson, que tem porte de arma, teve sua pistola apreendida e deve responder por disparo de arma de fogo. O prazo para apurar o crime é de 30 dias.