Vasco mira exemplo do Corinthians para voltar à elite e ir à final

Fabio Grijó e Márcia Vieira, Jornal do Brasil

RIO - O primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, às 21h50, no Maracanã, marca o encontro do Vasco com o Corinthians, o seu clone na temporada. São tantas as coincidências que cercam as duas equipes que é impossível não se ter uma sensação de déjà vu. Mirando-se no reflexo vencedor do espelho corintiano, também rebaixado em 2007, o time de Dorival Júnior entra em campo sonhando chegar a sua segunda final da Copa do Brasil, mas sem perder de vista o foco, a Primeira Divisão.

Para isso, o técnico vascaíno terá que vencer o duelo do banco de reservas desta noite, se quiser chegar a sua primeira final de Copa do Brasil. E com isso ganhar moral suficiente para reconduzir o clube à elite nacional. Um longo caminho que seu rival desta quarta, Mano Menezes, conhece muito bem.

Ele comandou os acessos do Grêmio, em 2005, e do Corinthians em 2008, à Primeirona, e chegou à final da Copa do Brasil, no ano passado, mas perdeu a final para o Sport. Para o técnico corintiano, tantas coincidências podem pressionar o Vasco.

Existe sempre essa coisa da pressão. Eu mesmo disse que o Vasco é o Corinthians do ano passado ressaltou o técnico. É tudo muito parecido, mas as equipes são diferentes e com características diferentes.

Mano tem razão. Semelhanças não faltam. A começar pela total profissionalização do futebol dos dois clubes no ano em que viveram o inferno da Série B. No Vasco, a torcida viu com desconfiança a chegada do diretor executivo Rodrigo Caetano. Mas a política de contratação de jogadores pouco conhecidos como Titi, Gian Mariano, Ramon, Nilton, Élton, Rodrigo Pimpão e Paulo Sérgio já vem dando resultados. A mesma aposta fez o clube paulista, que resolveu investir em nomes como Chicão, Suárez, Valença, Rafinha, Lima, Acosta, William e Herrera. Jogadores que levaram o Corinthians à conquista da Série B.

Torcida é aliada na Série B

O retrospecto das duas equipes na disputa de competições paralelas, também, é muito parecido. Quando enfrentou o Botafogo, na primeira partida das semifinais da Copa do Brasil do ano passado, o Corinthians tinha 100% de aproveitamento e ainda liderava a Segundona. Mesma realidade que o Vasco atravessa hoje. Além de ter a melhor campanha entre os semifinalistas da Copa do Brasil, com quatro vitórias, dois empates e nenhuma derrota, o time de São Januário segura a ponta da Série B, tendo no seu encalço o Guarani, que tem o mesmo número de pontos mas um saldo de dois gols a menos.

Outra semelhança na trajetória de ambos foi a campanha em seus campeonatos regionais. Quando estava rebaixado, o Corinthians não foi bem no campeonato paulista e não se classificou nem para as semifinais. O Vasco completou o sexto ano sem título no Carioca e, mesmo tendo chegado à semifinal da Taça Rio, não foi à final.

No quesito fidelidade, as duas equipe empataram em demonstração de amor e paixão. Se, no ano do rebaixamento, o Corinthians criou a campanha Eu nunca vou te abandonar , a do Vasco apostou em um bordão que caiu nas graças do torcedor: O sentimento não pode parar . Campanha que se intensificou com o lançamento do programa sócio-torcedor, O Vascão é meu , que em apenas quatro dias de funcionamento cadastrou mais de 17 mil sócios número 17 vezes maior que o do quadro social, até então de 900.

Vasco sonha com Juninho

O ambicioso programa criado pelo publicitário Fábio Fernandes implantado na última semana é apenas a primeira meta de um projeto muito maior que inclui a volta de um grande ídolo. Se o Corinthians apostou em Ronaldo na volta à elite do futebol, o Vasco corre contra o tempo para convencer Juninho Pernambucano a disputar a Série B. Ele se desligou do Lyon nesta terça e pode voltar a São Januário, se a diretoria se apressar.

Fora do campo, o momento político dos dois clubes também é semelhante. A saída do ex-presidente do Corinthians Alberto Dualib, após 14 anos no poder, lembra a de Eurico Miranda, que há sete comandava os rumos da nau vascaína. Assim como o novo presidente Andres Sanchez assistiu de perto à queda corintiana, Dinamite viu em seu quinto mês no comando o dia mais triste da história de São Januário. Se depender dos vascaínos, torcida é para que o atual presidente veja, como o colega, seu clube voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Para isso, a torcida vem mostrando que vai fazer a sua parte.

Súmula

VASCO: Fernando Prass, Paulo Sérgio, Gian, Vílson e Ramon; Amaral, Nílton, Léo Lima e Jéferson; Pimpão e Elton.

Técnico: Dorival Júnior.

CORINTHIANS: Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Dentinho e Souza.

Técnico: Mano Menezes.

Local: Maracanã.

Horário: 21h50.

Arbitragem: Heber Roberto Lopes (Fifa-PR), auxiliado por

Roberto Braatz (PR) e

Altemir Haunsmann (RS).

Transmissão: Premiere.