Flu não impede entrada de arruaceiros e treino tem tiros e agressão

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO - Segurança reforçada, portões trancados. A diretoria tricolor parecia saber a noção exata do que aconteceria na tarde desta terça-feira nas Laranjeiras. Apenas parecia. Por volta das 15h, cerca de 40 torcedores invadiram o clube pela sede social e deram início a protesto que começou na arquibancada, com xingamentos e cartazes. A manifestação chegou ao campo e se transformou em selvageria, com direito a agressão ao volante Diguinho e tiros disparados por um segurança que prestava serviços ao clube.

Ouvi os estampidos. Mas não dá para afirmar que foi tiro. Se alguém entrou armado no clube, vamos procurar saber quem é. Nossos seguranças trabalham sem o uso de armas disse Marcelo Penha, assessor da presidência do clube, tentando desconversar. Vamos pedir ajuda da Polícia Militar e apurar direito o ocorrido.

A ira da torcida foi despertada após a derrota por 4 a 1 para o Santos. A notícia de que torcedores protestariam nesta terça fez a diretoria tricolor pedir reforços para alguns seguranças que auxiliam o clube em jogos no Maracanã.

Os jogadores aqueciam para o treinamento quando integrantes de uma facção organizada pularam a grade que separa o alambrado do campo e ficaram frente a frente com os jogadores. Os atletas ouviam calados até que Diguinho, que não vem atuando por estar se recuperando de uma tuberculose, sentado para calçar as chuteiras, foi interpelado pelos arruaceiros.

Você está doente e fica indo para noite? disse.

Segundo o mesmo torcedor, Diguinho teria dito Vou sim e daí? O dinheiro é meu .

Essa teria sido a senha para Leandro Carvalho, apelidado de Campinho, partir para cima de Diguinho e agredi-lo com socos e pontapés, forçando o volante a se defender com as chuteiras e sair correndo para o vestiário.

Nesse instante, em meio a confusão, dois disparos foram ouvidos e o corre-corre começou. O pânico se instaurou. Atletas correram em direção ao vestiário e os arruaceiros se dispersaram em direção a uma área cercada que divide público dos jogadores. Separados por uma grade, alguns integrantes exigiram a presença do coordenador Alexandre Faria, que conversou cerca de 15 minutos com os protestantes. Sete integrantes da Polícia Militar foram convocados para reforçar a segurança. De volta ao campo, jogadores correram em torno do campo e treinaram finalizações.

O advogado criminalista Sérgio Riera foi chamado e, ao lado do assessor Marcelo Penha, foi à 9ª Delegacia (Catete) registrar boletim de ocorrência. Diguinho informou, via assessoria de imprensa, que não pretende denunciar seu agressor. Sobre a possibilidade de transferir o local de treinamento, para proteger atletas e torcedores, Marcelo Penha foi taxativo. A equipe permanece treinando na tradicional e desprotegida Laranjeiras.

Não vamos deixar de treinar nas Laranjeiras. Aqui é a nossa casa. Vamos procurar saber. Os sócios que estiveram entre os baderneiros serão punidos afirmou o assessor.