GP2 abastece F 1 de novos talentos: Dos 20 pilotos, 7 saíram do acesso

Renata Machado, Jornal do Brasil

RIO - O atual campeão mundial Lewis Hamilton é o exemplo mais bem-sucedido de garoto que saiu da GP2 e conquistou seu espaço na Fórmula 1. Além dele, mais outros seis dos 20 pilotos que estarão alinhados no grid para o GP da Espanha, às 9h deste domingo, vieram da categoria que tem sido a principal forma ou a única de obter uma vaga na F 1. O caminho seguido por eles é o mesmo que os quatro brasileiros que disputam a GP2 nesta temporada querem trilhar.

O caminho, porém, não é nada fácil. Desde 2005, quando foi criada, 10 brasileiros já passaram ou ainda estão na GP2. Apenas um deles conseguiu chegar à elite. Foi Nelsinho Piquet, vice-campeão da categoria em 2006, que está em seu segundo ano na equipe Renault.

Lucas Di Grassi, que ano passado teve seu nome envolvido em especulações de que poderia substituir o compatriota na escuderia francesa, da qual é piloto de testes, e que também chegou a fazer testes na Honda (atual Brawn GP), ficou pelo caminho. Em seu quarto ano na GP2, na qual foi vice em 2007 e terceiro em 2008, o paulista acredita que ano que vem será diferente.

Esse ano só um subiu para a F 1 (Sébastien Buemi, para a Toro Rosso). Ano que vem será até mais fácil. Com essas mudanças de regras, talvez entrem três novas equipes em 2010, abrindo seis vagas conta Di Grassi, esperançoso.

Confiante de que o cockpit da ex-Honda poderia ser seu, o piloto quase ficou sem vaga na GP2. Escapou de um destino igual ao do compatriota Bruno Senna, que também competiu na categoria de acesso em 2008, na qual foi vice, e testou pela Honda, mas acabou sem vaga em nenhum dos dois grids.

A GP2 foi a melhor saída. Depois de passar perto da Honda, tive a sorte de ser contratado por uma das melhores equipes da categoria. Continuei vivo. As equipes da F 1 estarão olhando a minha performance explicou Di Grassi.

O alívio do brasileiro é por não ter saído do foco dos olheiros. A categoria é a mais parecida com a principal do automobilismo nove de suas 10 etapas são disputadas nos mesmos circuitos e fins de semana da F 1. Com a restrição cada vez maior de testes, as equipes procuram pilotos mais preparados. E a GP2 é a escola.

É tipo um laboratório para a F 1. Os carros são muito parecidos afirma Alberto Valério, que corre na categoria de acesso pelo segundo ano.

Para competir na GP2, os pilotos têm de pagar para a equipe, em média, 2 milhões de euros para arcar com os custos do carro na temporada. Di Grassi tem custo zero.

Você tem que arrumar patrocínio para bancar a carreira desde o kart, outro para ter esse dinheiro para competir na GP2... São mil pilotos querendo sentar em 20 vagas na F 1. Tem que dar sorte, ser bom, tudo na mesma hora conta Diego Nunes, na segunda temporada na GP2.

O paulista, que mora em Londres, não recebe nada. Os patrocínios bancam parte do automobilismo, enquanto o pai paga as contas:

Fazer dinheiro só na F 1.

Além de Hamilton, foram campeões da série de acesso Nico Rosberg (2005) e Timo Glock (2007). Dois chegaram ao vice Heikki Kovalainen (2005) e Nelsinho Piquet (2006). Também subiram Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima.