Contra sina de vice: na GP2, Brasil busca título que escapou 3 vezes

Renata Machado , Jornal do Brasil

RIO - Após bater na trave três vezes nos quatro anos de existência da Fórmula GP2, o Brasil começa a quinta temporada da categoria de acesso à Fórmula 1 com quatro pilotos tentando acabar com a sina de vice. Criada em 2005, nos últimos três anos o troféu de segundo lugar ficou nas mãos de brasileiros: Nelsinho Piquet (2006), Lucas Di Grassi (2007) e Bruno Senna (2008). Nesta temporada, que tem a primeira etapa neste sábado e domingo, em Barcelona, na Espanha, é justamente Di Grassi o favorito para se tornar o primeiro campeão do país.

É bom pensar assim... Já fui segundo e terceiro (2008). Dos lugares do pódio só falta o primeiro diz o paulista. A expectativa é boa. Estou numa ótima equipe, fui muito bem na pré-temporada e a chance de conquistar o título é grande. O foco é tentar acumular o máximo de vitórias possíveis. Seria sensacional trazer esse título para o Brasil, ainda mais que esse ano está difícil de termos campeão brasileiro na F 1.

Di Grassi, também piloto de testes da Renault, na F 1, disputa a GP2 pela quarta vez, agora pela equipe Racing Engineering, a mesma do campeão do ano passado. Além disso, terminou como o melhor piloto nos testes da pré-temporada. Na prova deste sábado, larga em segundo no grid.

Outros dois brasileiros que competem este ano também entram na pista com ambições de levar a taça de campeão para casa. Alberto Valério e Diego Nunes ambos fazem a segunda temporada na categoria mudaram para uma equipe mais forte este ano e acreditam que serão mais competitivos, com condições de estarem no pelotão da frente.

Estou buscando brigar pelo título, sempre andar na frente aposta Valério, que este ano corre pela Piquet GP. Desta vez será diferente. Ano passado era estreia e foi difícil. Meu carro não era competitivo, era como se fosse a Toro Rosso da F 1. Quando dava tudo certo, o máximo que eu conseguia era um 10º lugar. Foi mais para pegar experiência. Agora estou muito confiante. O Brasil ainda não ganhou nenhuma vez. Espero que eu consiga acabar com essa sina de vice.

Nos testes de inverno do ano passado, em Barcelona, o mineiro ficou na segunda colocação geral. Nesta sexta-feira, porém, Valério não conseguiu manter a performance e vai largar apenas na 16ª posição do grid são 26 carros de 13 equipes. Já Diego Nunes, que substituiu Bruno Senna na iSport, conseguiu um lugar na quarta fila. Sai em oitavo.

No cockpit da equipe campeã em 2007 e vice em 2008 com o compatriota, o paulista também aposta no título, apesar de mostrar certa cautela.

Ano passado deu para aprender muito e agora vou lutar por este título. A minha equipe é uma das três melhores da GP2, mas vamos ter de esperar a primeira corrida para ter mais noção. A categoria é uma das mais difíceis do automobilismo. O nível das equipes e dos pilotos é muito alto analisa Nunes.

Já o único brasileiro estreante, o baiano Luiz Razia, sabe que vitória é uma tarefa quase impossível. Correndo na FMS, equipe que ficou em penúltimo em 2008, ele quer é acumular conhecimento para se preparar bem para a temporada 2010.

Sempre entro querendo ganhar, mas tenho consciência de que a experiência conta muito. O campeonato é o mais competitivo hoje e esse ano vai ser de muito aprendizado. O mais importante é fazer o maior número de pontos.

Saiba mais sobre a categoria

A prova deste sábado será às 11h (de Brasília) e a de domingo, cujo grid obedece ao resultado da primeira corrida (e inverte os oito primeiros colocados), será às 5h30. O campeonato tem 10 etapas até setembro, todas na Europa. Nove delas acompanhando o circo da Fórmula 1.

Lucas Di Grassi

Paulista, de 24 anos, está em sua quarta temporada na GP2. Estreou em 2006 (16º lugar), foi vice em 2007 e terceiro em 2008, quando entrou apenas na sétima etapa.

Alberto Valério

Mineiro, de 23 anos, compete pelo segundo ano na GP2. Em 2008, ficou em último lugar (26º) correndo por uma equipe pequena.

Diego Nunes

Paulista, de 22 anos, estreou no ano passado na GP2, quando ficou em 22º. Este ano substituiu Bruno Senna na iSport.

Luiz Razia

Baiano, de 20 anos, é o único brasileiro estreante na categoria. Está numa equipe menor e não deve brigar pelas primeiras posições.