Aqui não falta estrutura, diz Washington sobre o São Paulo

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - A camisa 9 será o centro das atenções, neste domingo, às 16h, no Maracanã. De um lado, Fred, principal esperança para o fim de um jejum de 25 anos, tenta dar o segundo Campeonato Brasileiro ao Fluminense. Do outro, Washington carrega o fardo dos gols que podem levar o São Paulo ao seu sétimo título nacional, o quarto consecutivo. Mas as atrações do clássico tricolor não param por aí. Dos 22 jogadores em campo, logo mais, o atacante do time do Morumbi não vai escapar das provocações da carioca. Depois de um ano nas Laranjeiras, Washington abriu mão de dinheiro e se transferiu para o clube paulista atrás de estrutura e o título da Taça Libertadores.

Em entrevista ao JB, o atacante confirma a versão de que não foi o dinheiro que pesou na sua decisão. Por causa dela, os tricolores não o perdoam. Washington virou traidor , perdedor de gols e outros adjetivos não menos depreciativos. Para o lugar do jogador, o clube repatriou Fred, ex-Cruzeiro e Lyon, da França. De herói, o agora são-paulino virou vilão. O status de ídolo ficou com o novo reforço.

Quando entrar em campo, Washington vai ouvir musiquinhas e outras provocações. Bem-humorado, não se faz de surpreso. Leia, a seguir, os pontos principais da entrevista concedida quinta-feira. Entre tantas respostas, garante: se marcar gol, nada de silêncio em respeito aos tricolores do Rio.

Há um gosto especial nesse reencontro com o Fluminense?

Sim. Porque é meu ex-clube. Tive muitas alegrias no Fluminense, no ano passado. É uma história ainda recente. Tem meses, só. E aí logo no primeiro jogo do Brasileiro a gente se enfrenta... Será um encontro especial.

E a torcida do Fluminense. Você acha que ela reagirá de que forma? Está preparado para uma possível vaia?

(Risos) É Natural. A torcida vai pegar no pé. Já me preparei para isso. Mas se ela pega no pé, é porque eu faço falta, né? É porque eu fui bem no Fluminense, fiz coisas boas. E por isso eles não gostaram quando eu saí.

É verdade que você trocou o Fluminense pelo São Paulo por causa da estrutura? Abriu mão de dinheiro?

É verdade. Realmente fui para o São Paulo pela estrutura, pelo momento do clube. Achava que aqui eu ia aproveitar essa estrutura que o São Paulo oferece aos jogadores.

E você aceitou ganhar menos só pelo status?

Verdade. Os clubes do Rio têm camisa, torcida, tudo isso empolga. Mas a diferença é grande quando se fala no futebol paulista e em estrutura. Aqui você tem três, quatro campos para treinamento, alojamento. O campo das Laranjeiras não dá a menor condição. O trabalho físico e o campo não são ideais. Apesar de estar com 34 anos e perto de me aposentar, vim para cá para ter um crescimento na carreira. Não adiantava eu ficar no Rio ganhando dinheiro, mas desmotivado.

Então está convicto de que fez a escolha certa?

A qualidade do futebol paulista faz a diferença Também. Por isso, os clubes do Rio não ganham um Brasileiro há bastante tempo.

E como foi a sua adaptação ao São Paulo?

Foi rápida, simples, tranquila. Já conhecia São Paulo (atuou pela Ponte Preta), a cidade ajuda, a estrutura do clube também.

Mas e a torcida do São Paulo. Ela não pegou no teu pé pelo gol que você marcou contra eles na Libertadores?

Foi boa. O pessoal toda hora brinca, cobra, mas todos me receberam muito bem aqui. Disseram que querem que eu conquiste o título da Libertadores para pagar os gols do passado.

Se fizer gol domingo, vai ter comemoração?

Vou comemorar normalmente com a minha torcida e meus companheiros. Mas jamais vou desafiar a torcida do Fluminense. Vou respeitá-la como sempre respeitei.

Você saiu e o clube trouxe o Fred. Já fizeram até musiquinha comparando ele a você...

(Risos) É normal. O Fluminense precisava de um centroavante de ofício, e ele como grande atacante que é, espero que ele seja feliz como eu fui...

Algum palpite para o jogo?

Sem palpite. Será um jogo muito difícil.