Curado de tuberculose, Diguinho afirma: Em uma semana estou pronto

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO - Pouco comum em atletas de futebol, o bacilo de Koch, microorganismo causador da tuberculose, fez uma vítima esse ano nas Laranjeiras. O volante Diguinho, contratado esta temporada pelo Fluminense, foi obrigado a ficar fora dos gramados desde março e passar um mês em tratamento. Em fase final de recuperação, o jogador manda um recado aos torcedores que anseiam pela sua volta.

Em uma semana, no máximo, estarei pronto para jogar outra vez afirmou o atleta.

Como a transmissão da doença é passada geralmente pelo ar, é praticamente impossível saber ao certo como o atleta contraiu a doença. Ciente do risco que corria, Diguinho seguiu sem contestar as recomendações médicas.

Fiquei uma semana sem fazer absolutamente nada. Somente de repouso. Como atingiu o pulmão não podia fazer qualquer exercício físico explicou.

Sem restrições na alimentação, mas obviamente debilitado pela doença, o jogador temia ficar fora do time, mas em nenhum momento se desesperou. A força de seus familiares, que há pouco mais de três anos sofreram com a perda do irmão em um acidente de moto, foi fundamental.

Não pensei na morte. Quando conversei com os médicos e eles me disseram que havia cura, segui o tratamento. Minha família esteve ao meu lado dando apoio e força na recuperação agradeceu.

Com uma semana de tratamento, o atleta deixou o repouso absoluto e passou a fazer caminhadas. A bateria de exames eram constantes e as dores no pulmão também. Assim que foi diagnosticada a doença, o jogador foi submetido a uma drenagem para eliminar o derrame na pleura.

Lembro quando fiz a drenagem. Os primeiros dias foram difíceis lembra o volante.

Afastado desde o último dia 20 de março, o meio-campo foi liberado pelos médicos para treinar com bola há apenas duas semanas. Como sua principal característica é a velocidade que usa tanto para marcar quanto para defender, sentiu dificuldade em seu retorno.

Aos poucos vou entrando no ritmo dos companheiros disse.

Carreira incomum

Em 2005, um meia veloz despontava no Mogi-Mirim e chamava atenção de outros clubes. No ano seguinte, Diguinho chegava à Cidade Maravilhosa para jogar no Botafogo. O deslumbramento com os encantos do Rio fez o atleta passar uma temporada na reserva.

A morte do irmão marcou um divisor de águas na carreira do atleta. Rapidamente, o jogador se tornou titular do Botafogo e conquistou o coração dos torcedores.

Destaque no Campeonato Brasileiro de 2008, foi cobiçado por Grêmio e Flamengo, mas foi parar no Fluminense. Após início ruim na temporada deste ano e a doença, o atleta espera reencontrar o futebol demonstrado nas últimas duas temporadas.

Quero recuperar o tempo perdido. Temos o Brasileiro, que é uma competição longa, e a Copa do Brasil. É muito ruim ficar fora. Não vejo a hora de voltar a jogar anseia o volante.