'Vamos levar o basquete a seu devido lugar', diz Carlos Nunes

Renata Machado , Jornal do Brasil

RIO - Após 12 anos no comando da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Gerasime Bozikis, o Grego, deixou o cargo. Nesta segunda-feira, na eleição para a presidência da entidade, o atual mandatário anunciou a retirada de sua candidatura momentos antes da apuração dos votos. Após a abertura das urnas, foi conformado o que a chapa Pró-Basquete afirmava: ela tinha a maioria dos votos. Assim, Carlos Nunes, presidente da federação gaúcha, foi eleito o novo mandante da CBB para o quadriênio 2009/2013. Após a abertura das urnas, realizada no auditório do Jockey Club, 16 votos foram em favor de Nunes, enquanto os 11 restantes foram abstenções.

É claro que não gosto de perder, que eu queria continuar, mas se há um candidato que vai ganhar, temos que apoiar. E, por isso, retiro a minha candidatura e só peço para que o novo presidente não estrague o que já foi feito. Não queremos nada dividido. Temos que nos unir. Este é um momento histórico para o basquete. Nunca houve uma transição tão tranquila discursou Grego.

Apesar da atitude, a administração de Grego foi bastante conturbada, marcada por brigas com atletas e clubes, além da criação de torneios paralelos ao Nacional da CBB. Além disso, a seleção masculina não disputou uma Olimpíada sequer durante a sua administração e o feminino caiu de rendimento. Em entrevista ao JB, por telefone, Nunes conta as propostas para a nova administração.

Jornal do Brasil - Qual foi a sua impressão da saída do Grego antes da apuração dos votos?

Carlos Nunes - Ficamos surpresos, mas foi uma atitude altruísta em nome do basquete nacional. Um processo eleitoral sempre deixa algum tipo de trauma, mas ele pensou no basquete, se retirou, e não havia mais motivo para discussão. Não houve problema de enfrentamento nem discussões. Todos ficaram satisfeitos. Agora só cabe uma aproximação maior com as federações para que possamos trabalhar para levar o basquete do país de volta ao seu lugar.

JB - Você foi assessor da CBB durante 11 anos e só deixou o cargo em janeiro. Quais foram as ideias que você tentou implementar, mas que não tiveram apoio do Grego?

Nunes - A administração da CBB é muito centralizada e a primeira coisa é descentralizá-la. Vamos criar um conselho consultivo formado pelas federações para que elas tenham participação em tudo na administração da CBB. São elas que formam a confederação e, por isso, têm direito a saber de tudo. A primeira coisa que vamos fazer, porém, é chamar uma assembleia para mudar o estatuto para que apenas uma reeleição seja possível para cada presidente. Além disso, vamos alterar o estatuto para que a CBB tenha um vice-presidente eleito. No atual, ele é indicado, mas nem isso a confederação tinha. Depois, vamos fazer uma eleição somente para vice. A alteração do estatuto é fundamental para a administração decolar.

JB - E quanto aos técnicos das seleções masculina e feminina, Moncho Monsalve e Paulo Bassul, respectivamente. Eles continuam?

Nunes - Não pretendemos mexer na seleções até as competições internacionais, que terminam em setembro (Copa América, que classifica para o Mundial). Até lá, deixamos as mesmas comissões técnicas para o masculino e o feminino, para que o planejamento que já foi feito não sofra descontinuidade. Se o Moncho e o Bassul forem bem e atingirem o planejamento traçado por eles mesmos, não há por que trocá-los, mas, se não forem bem, aí faremos uma reavaliação e as comissões podem ser trocadas.

JB - O Antônio Carlos Barbosa continua como coordenador de seleções?

Nunes - Não sabemos ainda. Vai depender da Hortência também. Nós a convidamos para ser diretora do departamento feminino no lançamento da chapa, mas ainda não sabemos se ela vai aceitar. Para o masculino ainda não convidamos ninguém.

JB - Qual a sua avaliação do Novo Basquete Brasil (NBB), campeonato organizado pelos clubes?

Nunes - É a coisa mais importante do basquete brasileiro que aconteceu nesses últimos anos. Os clubes organizaram muito bem, só nos resta apoiar integralmente, sempre apoiando uma abertura maior, para que se faça ligas no Norte e no Nordeste, expandindo o basquete para todo o território nacional. O campeonato é concentrado no Centro-Sul por uma questão de custo. Vamos propor ao Kouros (Monadjeni, presidente da Liga Nacional de Basquete, que controla o NBB) para que se façam ligas no Norte e no Nordeste e depois fazer uma integração com o Centro-Sul, com uma grande final. Essas ligas têm de ser da competência da NBB, elas que têm de administrar, mas vamos dar o respaldo.

JB - E quais as ideias para reeguer o feminino?

Nunes - Temos que dar as mesmas condições do masculino para o feminino, que é onde temos mais chance de medalhas. Temos que dar no mínimo o mesmo apoio dado ao masculino. Fazer um campeonato nacional nos moldes do masculino depende da NBB, se ela achar que é viável. Nas seleções brasileiras vamos fazer essa isonomia. Pelo menos as reclamações são quanto a isso, que as mulheres não têm o mesmo apoio. Vamos checar e solucionar esse problema.