Rio escala Dilma Rousseff e Henrique Meirelles para convencer o COI

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - Entre as cidades candidatas a sede dos Jogos de 2016, o Rio é tido como a que menos oferece garantias de infraestrutura. Em contrapartida, o país quer se valer da transformação com a escolha para validar o argumento de que o movimento olímpico daria sinais de democracia se o evento fosse realizado na América do Sul. Para isso, o desafio é apresentar à comissão de avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), que está na cidade desde segunda-feira, as garantias necessárias à realização do evento.

Para a tarefa, foram recrutados a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Os dois participaram, nesta quinta-feira, da apresentação sobre o tema "cenário político e econômico" aos 13 membros da comitiva do COI. No convencimento da comunidade esportiva internacional, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é visto como fundamental. Significa a garantia de que haverá incremento na infraestrutura da cidade. O sucesso da empreitada carioca depende do quanto a comissão do COI foi convencida de que as obras serão, de fato, realizadas.

O comitê Rio-2016 e os três níveis de governo alinharam o discurso para assegurar que a cidade estará pronta para receber os Jogos. A ministra Dilma Rousseff afirmou que o orçamento de R$ 30 bilhões está garantido para os próximos sete anos mesmo com as mudanças nos governos até a data dos Jogos.

Deixamos claro que há uma parceria entre os três níveis de governo e com os patrocinadores. A garantia é institucional, não pessoal. Nós nos comprometemos pela nação brasileira. Qualquer que seja a esfera de governo, o sucessor dará continuidade ao projeto advertiu a ministra, virtual candidata do presidente Lula nas eleições de 2010.

Parcerias previstas

A confiança é tanta no crescimento econômico que, para Dilma, nada impedirá o Brasil de arrecadar os R$ 30 bilhões. Segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva, também presente à sabatina, esse valor é dividido em três partes. A primeira provém do PAC da Mobilidade Urbana; a segunda, de parceria e patrocinadores e já está, segundo o ministro, sendo planejada; e a última, que entraria em ação após a escolha e o anúncio oficial do COI em 2 de outubro.

Num período de sete anos, é quase impossível que o Brasil não arrecade este valor frisou Dilma.

Ao mesmo tempo que o Rio luta pelo direito de sediar os Jogos de 2016, o Brasil venceu a candidatura de 2014 para a Copa do Mundo. Portanto, a reboque dos investimentos para o Mundial de futebol, os organizadores pegam carona no PAC.

Há a promessa de o Rio receber aproximadamente R$ 5 bilhões para ampliação de 26 quilômetros do metrô e 111 quilômetros de corredores de ônibus. Entre as principais obras estão a implantação da linha 4 do Metrô (Barra-Zona Sul), a Via Light e a construção do Corredor T-5 (para ônibus articulados em faixa exclusiva da Barra até a Penha). Somente a linha 4 deverá consumir R$ 3 bilhões, enquanto o T-5 e a ampliação da Via Light terão custos de cerca de R$ 500 milhões cada. A lista chega a quase R$ 10 bilhões.

Na luta contra Madri, Tóquio e Chicago, o Rio trouxe para a sabatina as principais autoridades públicas e personalidades do país. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, além do presidente de honra da Fifa, João Havelange, são presença constante assim como Pelé e o presidente Lula.

A presença de Meirelles foi o antídoto contra uma possível incapacidade de um país do terceiro mundo receber o maior evento de esportes do planeta. O presidente do BC, em seu discurso, apresentou números que mostram o crescimento econômico do país. Citou o fundo de reserva do Brasil, hoje na ordem de US$ 200 bilhões.

Antes, nossa reserva era de US$ 16 bilhões, e quando pedíamos ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), tínhamos de retrair o investimento. E aí quebrávamos. Hoje, temos uma economia capaz de assegurar o orçamento da obra, mesmo diante da crise mundial disse Meirelles. Nossa força econômica se divide em estabilidade e previsibilidade. Assim, mostramos que o Brasil está estável e podemos prever o futuro do país, dos Jogos.

Sem elefante branco

O Rio-2016 aposta na beleza natural da cidade e na garantia do custo do orçamento, o maior entre as concorrentes. A ministra sugeriu a criação de fundo de investimento para gerir a receita. Nesta quinta, Madri inaugurou a Caixa Mágica, um complexo de três quadras de tênis com teto retrátil para a disputa do Masters 1.000 de Madri.

Ciente que o país está atrasado quando o assunto é estrutura, Dilma acha que os Jogos serão uma oportunidade para a cidade tentar se adequar aos padrões internacionais.

Mas não queremos elefantes brancos. Os Jogos servirão para alavancar novos projetos esportivos e sociais disse Dilma.