Quinze anos sem o talento e o carisma de um mito: Ayrton Senna

Tiago Leite, Jornal do Brasil

RIO - Há 15 anos, em 1º de maio de 1994, uma desastre no GP de San Marino de Fórmula 1 transformava a figura de um ídolo em mito. Na sétima volta, no cockpit do FW16 da Williams, o piloto Ayrton Senna chocou-se contra o muro da curva Tamburello, encerrando precocemente carreira e vida aos 34 anos.

A morte de Senna deixou órfãos milhares de fãs em todo o planeta e um enorme vazio nos corações brasileiros. Ayrton encarnava o espírito vencedor brasileiro, que pode dar certo e ser reconhecido além das fronteiras. Bandeira do Brasil na mão, a cada vitória desfilava o orgulho por seu país pelas pistas do mundo, e alegrava um povo sofrido em inúmeras manhãs de domingo.

Ayrton Senna da Silva nasceu no dia 21 de março de 1960, em São Paulo. Das primeiras aceleradas no kart ao tricampeonato mundial de F 1, traçou uma carreira de amor incondicional ao esporte e às vitórias. Na principal categoria do automobilismo, contabilizou 41 vitórias, 65 pole positions e três títulos.

O piloto estreou em competições aos 13 anos no kart. A chance de competir na Europa veio em 81, na F 1600 inglesa. Com 12 vitórias em 20 corridas, Ayrton se tornou campeão da categoria. Ano seguinte, o piloto passou a correr na F 2000, sagrando-se campeão inglês e europeu. Em 83, subiu outro degrau ao ir para F 3 e novamente ficou com título.

Talento e resultados chamaram atenção da elite do automobilismo. Em 84, entre os convites de Lotus, McLaren e Williams, fechou com a Toleman. A estreia foi logo no GP do Brasil, em Jacarepaguá, quando terminou em 14º lugar. No mesmo ano, comprovou seu talento ao ficar em segundo no GP de Monaco, que terminou antes do previsto por conta da chuva. A primeira vitória na Fórmula 1 só viria no ano seguinte, em Portugal, no cockpit de uma Lotus, onde ficou por mais dois anos.

Em 88, na sua estreia na McLaren, travou um duelo emocionante com o companheiro de equipe Alain Prost. O primeiro título veio em Suzuka: o Brasil tinha um novo campeão. No ano seguinte a relação entre os pilotos estremeceu de vez. No penúltimo GP, no Japão, o francês bateu de propósito no carro do brasileiro, o suficiente para ser campeão.

O troco veio um ano depois, novamente em Suzuka. A situação era contrária e um abandono dos dois dava o título ao brasileiro. Para eles, a prova durou 10 segundos. Logo na primeira curva, Senna jogou o carro para cima de Prost, então na Ferrari. Suzuka era terra de Senna e foi lá que conquistou o tricampeonato. Daquela vez, o rival foi o inglês Nigel Mansell. Mas o brasileiro foi superior vencendo sete das 18 provas.

Em 94, numa temporada que prometia lhe render o quarto título, Senna não completou os dois primeiros GPs, Brasil e Pacífico. Na terceira corrida, em San Marino, o brasileiro liderava, mas uma curva o impediu de continuar brilhando.