Rio acredita que vitória levará Olimpíadas a áreas menos populares

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - Usar o Rio e o Brasil para sinalizar que os Jogos Olímpicos estão cada vez mais universais. Este é um dos fortes argumentos adotados pelo comitê Rio-2016 para convencer a comitiva de avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), que desde segunda-feira inspeciona as estruturas e as instalações, tendo como base o dossiê de candidatura entregue em fevereiro, para a escolha do país que vai sediar a Olimpíada de 2016. O resultado sai dia 2 de outubro.

Além do Rio, Tóquio (Japão), Chicago (EUA) e Madri (Espanha) são cidades finalistas. Em nenhuma delas, de acordo com os membros do comitê brasileiro, o movimento olímpico efetivamente causaria impacto na vencedora. Depois do continente sul-americano, as portas de centros com menos visibilidade para eventos desse porte estariam, acreditam, abertas. É nesta tecla que a candidatura brasileira vem batendo. Assim, o processo de democratização do esporte cresceria no cenário internacional.

Quem sabe os Jogos não vão depois para África, Índia ou países árabes? Abrem-se portas ressaltou Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Rio 2016.

Se há um país que sairá ganhando com os Jogos é o Brasil. E, se estamos prontos, por que não vencer a concorrência. Por que não trazermos os Jogos para o Rio? completou o governador Sérgio Cabral.

Nesta quarta-feira, pela manhã e à tarde, 13 membros da comitiva do COI assistiram à apresentação de seis temas ligados a garantias de estrutura e excelência da cidade para receber os Jogos. São eles: visão e conceitos dos Jogos, meio ambiente, esporte e instalação, vila olímpica, acomodações e transporte.

Havia especialistas para sabatina em cada ítem. Os dirigentes mais interrogados foram os representantes dos governos. Estiveram presentes, além de Nuzman, o ministro dos esportes Orlando Silva, o prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e a medalhista de bronze na vela Isabel Swan.

Ainda bem que fomos questionados, isso prova que estamos bem preparados, pois a apresentação foi ótima discursou Cabral. Ninguém está aqui brincando. Ninguém está aqui prometendo uma coisa que não vai cumprir completou o governador.

Provamos a eles que, apesar do momento de crise no mundo, a candidatura do Rio provou ser sólida. Não deixamos dúvidas de que nosso planejamento será cumprido disse Nuzman.

Serão gastos R$ 28 bilhões em obras de infraestruturas e instalações esportivas na cidade. O comitê Rio-2016 conta com o apoio do presidente Lula, que, por intermédio de Orlando Silva, mandou avisar que a ordem é não medir esforços na campanha de sediar os Jogos. Em discurso afinado com Nuzman, fala-se no legado que a Olimpíada trará para o país.

O que o Rio e o Brasil oferecem ao movimento olímpico seria a melhor plataforma para um movimento de transformar a juventude. Criaríamos novos ídolos, novos heróis. O esporte no Brasil cresceria no novo ciclo olímpico destacou Nuzman.

Lula janta com comitiva

O presidente Lula janta com os membros da comissão de avaliação do COI no Morro da Urca, hoje à noite. De manhã, seguindo o protocolo de inspeção, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participam da apresentação do tema Cenário Político e Econômico. Outros dois temas, Transporte e Paraolimpíada, também serão apresentados no Hotel Copacabana Palace.