Dirigentes pedem debate por carteirinha nos estádios

Marina Mello, Portal Terra

BRASÍLIA, DF - Diante das críticas das torcidas ao projeto do Governo de criar uma carteirinha obrigatória nos estádios, algumas sinalizações de mudanças na proposta começam a surgir em setores relacionados ao assunto.

O diretor técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elíseos, que participou do grupo que discutiu o projeto junto ao Governo, afirma que não há problema em a proposta sofrer alguns "ajustes", desde que se respeite o principal objetivo da idéia que é o de reduzir a violência dentro dos estádios e em seus arredores.

O diretor acredita que o ministro do esporte, Orlando Silva, não vai se opor em debater o assunto e alterar alguns pontos do projeto que, na visão de alguns torcedores, podem acabar inibindo o cidadão de ir ao jogo.

- Não há nenhum problema em se ajustar o projeto. Claro que não é a CBF que vai fazer, isso vai ser com o ministro do esporte e nós estamos articulados com ele - disse Virgílio Elíseos.

Segundo ele, ao se alterar o projeto, deve-se focar a obrigatoriedade de um documento no principal ponto que gera violência no estádio: nas torcidas organizadas.

- Não é uma preocupação que tem que ter carteirinha pra todo mundo, essa não é a preocupação inicial. Isso veio aparecer com a idéia de reduzir a violência, e onde está no estádio a violência? Basicamente no meio das torcidas organizadas - comentou.

Para o presidente do Inter, Vitório Piffero, a idéia do projeto de se criar uma carteirinha é boa, mas necessita de mudanças. Ele acredita que a proposta atual pode acabar "engessando" o sistema e desestimulando o torcedor de sair de casa para ver o jogo.

- Evidentemente que é bom, dá pra fazer, é viável. Mas tem que se ter cuidado para não engessar o processo. Tem que ser bem estudado para não inibir a ida do torcedor ao estádio, mas tem que ser no nível do controle que se precisa - avalia.

Os dois participaram da Soccerex nesta quarta-feira em Brasília.