Alonso lidera bloco dos insatisfeitos com nova regra da Fórmula 1

Jornal do Brasil

RIO - Ninguém se entende na Fórmula 1 após a divulgação da nova regra que decidirá o futuro campeão mundial. Pela proposta anunciada pelo inglês Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da categoria, o número de vitórias na temporada determinará o ganhador do campeonato e não mais o total de pontos acumulado pelos pilotos. A pontuação será usada para o caso de desempate entre os competidores que disputarem o título da F 1 e também para definir as classificações a partir do segundo lugar.

Ecclestone minimizou as queixas das equipes.

Toda vez que fazemos alterações, existem algumas pessoas que dizem esqueça, não vai acontecer . Quando criamos a regra de dois motores por corrida, todos disseram que as equipes não terminariam as provas disse o inglês ao site Autosport. Tudo o que é proposto, as equipes dizem esqueça . Faz parte.

Em entrevista à BBC, o dirigente também não se comoveu com os pilotos que se disseram contrários à nova regra.

Os que sabem que vão ganhar estão contentes, e os que sabem que não vão vencer não ligam afirmou Ecclestone. A ideia é fazer com que os pilotos corram. O segundo colocado de uma corrida tem que tentar ganhar, em vez de pensar que esse primeiro posto só lhe daria dois pontos a mais, o que não é uma grande motivação.

Entre os pilotos, sobraram críticas para a nova regra. O espanhol Fernando Alonso, da Renault, disse ter esperança de que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reconsidere a proposta.

Não entendo a necessidade de mudar as regras deste esporte constantemente. Acho que este tipo de decisões só pode confundir os torcedores disse Alonso. A Fórmula 1 vem crescendo há mais de 50 anos graças às equipes, aos patrocinadores, aos pilotos e, sobretudo, aos torcedores de todo o mundo, e nenhum deles foi capaz de expor seus próprios pontos de vista diante da FIA. Espero que haja alguma forma de estas medidas serem reconsideradas em curto prazo.

O inglês Jenson Button, na equipe Brawn GP, disse acreditar que o público terá dificuldade para entender a nova regra e acompanhar a disputa pelo título mundial.

Será difícil entender por que um piloto com 60 pontos pode ser campeão em vez de um que tenha 100 afirmou Button ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.

Para Button, o Mundial pode perder interesse tão logo um piloto alcance nove vitórias, mais da metade do total de provas na temporada (17), o que já lhe garantiria o título do campeonato.

O italiano Flavio Briatore, chefe da Renault, se declarou favorável à medida. Para ele, os pilotos ganharão motivação extra .

Não tenho problema em relação ao novo sistema de pontuação. Acho que é uma motivação extra para que o piloto consiga o seu melhor, que é vencer afirmou Briatore, ressaltando que a essência da F 1 são as vitórias e as ultrapassagens nas corridas.

Teto orçamentário

Além do novo sistema de definição do campeão mundial, Ecclestone também se colocou a favor da proposta da FIA de propor às escuderias um teto orçamentário, que não é obrigatório, a partir de 2010. As equipes terão a opção de competir com carros construídos e mantidos dentro de um orçamento de 33 milhões de euros (R$ 97 milhões). Como comparação, estima-se que a Ferrari tenha gasto mais de R$ 980 milhões em 2008. Para os que fizerem essa escolha, uma série de liberdades técnicas serão concedidas. Ou seja, a isonomia técnica que sempre caracterizou a categoria não mais existirá, e o grid será dividido em ricos que seguem normas mais rígidas e pobres com mais liberdade.