Na Argentina, racha entre Riquelme e Maradona divide torcida do Boca

Jornal do Brasil

RIO - Enquanto os brasileiros se deliciam com a presença de Ronaldo e Fred em gramados nacionais, os argentinos acompanham atentamente o desenrolar de um episódio que divide os fãs do Boca Juniors, clube de maior popularidade no país. No domingo, durante a vitória do time sobre o Argentinos Juniors por 3 a 0, muitos torcedores da equipe azul e amarela dedicaram seu apoio a Juan Román Riquelme e trataram como traidor nada mais nada menos do que Diego Maradona, maior ídolo da história não só dos dois clubes em campo, como de todo o povo argentino. É a relação ídolo/torcida levada ao extremo, como no episódio em que um torcedor do Flamengo literalmente mastigou um pôster de Zico quando Romário foi cortado da Copa do Mundo de 1998.

Riquelme anunciou na semana passada que não jogaria mais na seleção por, segundo ele, não compartilhar dos mesmos códigos que Maradona, que não foi ao estádio para ver o seu time de coração.

"Não se quebram os códigos", estava escrito em uma de tantas bandeiras que deram apoio a Riquelme, que não citou o nome de Maradona em entrevistas, mas deixou escapar alfinetadas direcionadas ao treinador da seleção.

Foi incrível, vai ser um dia inesquecível, emocionante. A torcida me deu carinho. Eles sabem que dou meu máximo, que é o meu clube, minha camisa, vou fazer de tudo para dar a todos ainda mais alegrias declarou Riquelme.

A polêmica surgiu há duas semanas, quando Maradona criticou o desempenho de Riquelme em um programa de TV. Em entrevista concedida a uma rádio argentina, na semana passada, Maradona também disse que chegou a telefonar várias vezes para o meia, que não atendeu as chamadas. Riquelme, por sua vez, lamentou ter sido informado apenas pelo rádio de que não seria convocado para o amistoso contra a França, em fevereiro, e de que Maradona não estava feliz com seu desempenho.

Tenho princípios e não são os mesmos do técnico. Fico triste de pensar que vou perder a Copa, mas prefiro que outro vá no meu lugar - prosseguiu Riquelme, que em 2006 pediu dispensa das convocações, mas acabou disputando a Copa com a chegada do técnico Alfio Basile.