'Pressão sobre Felipão era ainda maior', diz Dunga

Portal Terra

SÃO PAULO - Quase três anos à frente da Seleção Brasileira, o técnico Dunga ainda sofre com as críticas de parte da torcida. Longe de ser uma unanimidade, o treinador acredita que os protestos fazem parte do cargo e diz que a pressão sobre Luiz Felipe Scolari era ainda maior antes do pentacampeonato mundial de 2002, conquistado na Copa de Japão e Coréia.

- O que acontece comigo aconteceu com Felipão, Zagallo e todos os outros treinadores. Tem que ter confiança no seu trabalho e colocar em prática. Depois é o resultado que comanda tudo. O Felipão passou pela mesma situação, até pior que a minha - disse Dunga, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Acostumado com as vaias nos últimos duelos disputados no Brasil, principalmente pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, o comandante adiantou que pretende ocupar a função somente até a disputa na África do Sul, quando se despedirá da equipe verde e amarela.

- Eu espero chegar até a Copa. Acho que um treinador tem que ficar quatro anos pelo desgaste e depois dar lugar a outro - disse o técnico, que no final do ano passado conviveu com os protestos dos torcedores em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo Dunga, parte das críticas e cobranças ocorrem muitas vezes pelo clima festivo criado em torno das apresentações da Seleção. Descontente com a necessidade constante de boas atuações, o técnico saiu em defesa de seus comandados.

- Toda essa festa que se cria, não é criada pelos jogadores. Às vezes, essas pessoas que criam essa festa é quem nos cobra. O jogador tem que entrar em campo e jogar sempre, não tem dor, não tem desgaste da viagem. Eles sofrem mais do que qualquer um. A gente conversa com eles sobre essa cobrança e isso não vai acabar nunca. As pessoas que fazem as críticas têm que ter consciência - disse.