Fernando Henrique: mais um passo rumo à história

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - Já são 221 jogos com a camisa do Fluminense. Números que transformam Fernando Henrique em parte da história tricolor. Antes contestado, o goleiro, sem muito exagero, virou unanimidade nas Laranjeiras. Aos 25 anos, conquistou dois Cariocas (2002 e 2005) e uma Copa do Brasil (2007). Falta, no entanto, o gostinho de dar a volta olímpica no Maracanã como titular. Nos títulos estaduais, era reserva, e no torneio nacional contentou-se com o grito de campeão no Orlando Scarpelli, em Florianópolis, após a vitória de 1 a 0 sobre o Figueirense.

Nada acontece por acaso. Depois de tudo o que aconteceu, o time se acertou e fomos os primeiros (Grupo A da Taça Guanabara). Estreamos também com vitória na Copa do Brasil (1 a 0 sobre o Nacional-PB). Isso veio sinalizar coisa boa. O momento é agora vibra o goleiro.

Quarta-feira, o time enfrenta o Botafogo pelas semifinais da Taça GB. Em 2008, as duas equipes decidiram a Taça Rio (segundo turno do Carioca). Deu Botafogo, 1 a 0, gol de Renato Silva.

Este ano, as atenções no alvinegro estarão voltadas para o atacante Victor Simões. Vice-artilheiro da competição, com cinco gols, o camisa 9 alvinegro assusta o goleiro tricolor. Mas, se valer a escrita, Fernando Henrique vê o duelo com otimismo.

É um bom atacante, vem fazendo bons jogos e marcando gol. Mas no duelo que tive contra ele, levei a melhor destaca, orgulhoso, referindo-se à final da Copa do Brasil de 2007, quando Victor Simões jogava pelo Figueirense.

A Taça Libertadores de 2008 foi um divisor de águas na carreira de FH. Às voltas com a desconfiança de técnicos e torcedores desde que virou profissional, perdeu a camisa 1 para Murilo, Kleber, Diego e Ricardo Berna. Mas as belas defesas, sobretudo em jogos decisivos contra São Paulo, Boca e LDU, alçaram o goleiro à condição de ídolo.

Na temporada atual, o goleiro vem mantendo o nível das atuações. Porém, no aspecto disciplinar, foi contestado na derrota de virada (3 a 2) para o Duque de Caxias e na vitória (2 a 1) sobre o Americano. No primeiro jogo, foi acusado de cometer pênalti desnecessário. No segundo, agrediu um adversário com um soco. Para o goleiro, dois lances distintos.

Contra o Duque de Caxias, o campo estava molhado. Dei um carrinho e atingi o jogador. Contra o Americano, assumo, foi descontrole. O jogador se chocou comigo e eu revidei. Mas as pessoas precisam entender que nós, atletas, somos iguais às pessoas que estão em casa vendo o jogo pela televisão. Temos momentos de descontrole. Mas errei. Preciso me policiar - frisou.

A tão esperada volta olímpica terá um herói, que, segundo FH, não está nas quatro linhas.

O René (Simões) é o melhor técnico com quem trabalhei. O mérito, em grande parte, será dele. Ele sabe se comunicar com o jogador, se preocupa com a vida particular de cada um, oferece ajuda e comanda um grupo como poucos.