Do "Farroupilha" ao "do século", Gre-Nal tem duelos épicos

Dassler Marques, Portal Terra

PORTO ALEGRE - Em 100 anos de história, é natural que um clássico tenha seus duelos mais marcantes. Guardá-los na memória como os gaúchos, todavia, vai além do comum. Prova viva disso é que, anualmente, os gremistas se reúnem para celebrar o aniversário do Gre-Nal Farroupilha, de 1935. A partida que imortalizou o goleiro Lara, citado no hino do clube, é uma das mais marcantes nessa galeria.

Estatisticamente, contudo, o Internacional é quem detém a dianteira. Especialmente pela força do "Rolo Compressor", lendária equipe dos anos 40, e também na década de 70, quando pavimentou uma larga vantagem, os torcedores do clube colorado podem se dizer numericamente superiores.

Nos anos 80, com título mundial, e nos anos 90, com Campeonato Brasileiro e Libertadores, os gremistas esboçaram um equilíbrio. São 138 vitórias do Internacional, enquanto o Grêmio vem com 118 êxitos ¿ em 117 oportunidades, o Gre-Nal acabou empatado.

A história do clássico começou a ser escrita há cem anos, no 18 de julho de 1909, na Baixada. Lá, o recém-criado Internacional pretendia fazer sua primeira partida, e convidou o Grêmio.

Sem dar grande importância à ocasião, o clube fundado seis anos antes ofereceu seus jogadores reservas para o duelo. Ao recusar os suplentes do rival para a partida inaugural, o Inter pagou um preço alto: com força máxima, os gremistas fizeram 10 a 0, metade dos gols marcados pelo alemão Booth.

O Campeonato Farroupilha, em comemoração ao centenário da Guerra dos Farrapos, em 1935, escreveu uma das páginas mais marcantes do Gre-Nal. Com a presença de Getúlio Vargas nas tribunas, o Inter precisava só de um empate para ficar com o título, e o cardíaco goleiro gremista Eurico Lara, ainda que proibido pelos médicos, foi para o jogo.

Enquanto seu coração agüentou, Lara segurou os rivais, mas precisou deixar a partida, no segundo tempo, e foi imediatamente hospitalizado. A dois minutos do fim, Foguinho fez um gol e construiu a jogada do segundo, virando herói e nome de rua em Porto Alegre. Lara, por sua vez, morreu dois meses depois, e nunca mais saiu do imaginário gremista.

Conhecido como o time mais forte que o Internacional já teve, o grande Rolo Compressor construiu em 1948 aquela que é, até hoje, uma das mais expressivas goleadas do confronto. O argentino Vilalba foi às redes em quatro oportunidades nos 7 a 0 contra os gremistas. A origem da vitória é uma atenuante ao Grêmio, que resolveu enviar os reservas para o duelo, insatisfeitos com a arbitragem do Gre-Nal anterior.

Outra memorável vitória do Internacional foi em 1997, no que ficou conhecido como o Gre-Nal dos 5 a 2. Dentro do Olímpico, em tarde inspirada dos atacantes Christian e Fabiano - que em São Paulo viraria Fabiano Souza -, o clube colorado lavou a alma, surrada pelas façanhas que os homens de Luiz Felipe Scolari haviam construído nas temporadas anteriores. Curiosamente, o placar da casa gremista se apagou enquanto os visitantes faziam um gol atrás do outro.

Em 1977, o Grêmio também fez a festa em um grande momento do rival. O Internacional não vencia só a nível nacional nos anos 70 e havia ganhado os oito últimos títulos gaúchos. Mesmo mais frágeis, os gremistas foram à forra: o folclórico André Catimba fez o único gol do dia e, na comemoração, forjou uma cambalhota infeliz e precisou ser sacado. Já havia feito, porém, o seu papel.

A única vez que um duelo entre as duas equipes valeu vaga na Libertadores foi em 1988. As duas equipes chegaram juntas às semifinais do Campeonato Brasileiro e, quem fosse adiante, além de disputar o título nacional, brigaria pelo continental no ano seguinte. Na partida decisiva, no Beira-Rio, o centroavante Nílson virou, no fim, a favor do Internacional, dando ao clube colorado a vitória no que ficou conhecido como o Gre-Nal do Século. Ainda há, porém, muitas e muitas páginas a serem escritas.