Duque de Caxias aposta em vitrine e raça no Estadual 2009

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - O Duque de Caxias esteve perto de se juntar aos pequenos que reforçaram o elenco com jogadores de peso ainda que caminhando para o fim de carreira. Durante a preparação para o Carioca, falou-se no meia Petkovic e no atacante Luizão, ex-Vasco e Corinthians. Tudo, no entanto, não passou de um sonho. E é com a base do time quarto colocado na Série C do Brasileiro que o técnico Marcelo Buarque vai trabalhar no Campeonato Estadual.

A equipe da Baixada Fluminense tem alguns rostos conhecidos. Cadu, campeão carioca pelo tricolor das Laranjeiras em 1995, é o mais experiente. Além dele, o time tem ainda o lateral-esquerdo André Silva, campeão brasileiro pelo Botafogo no mesmo; e o meia Alberoni e o atacante Anderson, ambos ex-Vasco. O ideal, segundo Buarque, era a chegada de jogadores com perfil de Série A. Assim, como diz o velho jargão, se não der na técnica, vai na raça.

O lema não é bem esse. Mas a estratégia do treinador é trabalhar o lado motivacional para estimular o grupo a ponto de o modesto Duque de Caxias surpreender os favoritos.

Existe diferença entre a Série C e a Série A. Veja o Corinthians, que fez uma excelente campanha na Segundona do Brasileiro e se reforçou este ano. Mas se esse reforço não vier, vamos usar a base que deu certo ano passado. O time está certinho analisa.

Sem a receita dos clubes de ponta, a filosofia do Caxias é encontrar no mercado atletas com idade que queiram se encaixar no projeto. Ou seja, jogadores dispostos a fazer do time vitrine para tentar refazer a carreira. Embora num universo tecnicamente inferior, a fórmula deu certo na Terceirona. Foi preciso, contudo, palestras e vídeos como recurso para elevar a confiança do grupo.

Pós-graduado em Educação Física pela Uerj, Buarque foi jogador das divisões de base do Flamengo no anos 80 até se transferir para o Fluminense. Jogou com Branco, Ricardo Gomes, Leomir, Tato, Mozer, Tita e outros. Diz ele que uma lesão na região pubiana antecipou o fim de sua carreira. Com 21 anos, optou pelo estudo e não se arrepende.

Não sei se seria um bom jogador. Mas acho que fiz a escolha certa. Sou feliz e estou me realizando como técnico.

Iniciou a carreira como preparador físico no São Cristóvão, ainda nos anos 80. Mas foi nas seleções de base, ao lado de Toninho Barroso, na década seguinte, que Buarque foi adquirindo experiência. Atualmente, assiste a todos os jogos e não deixa de dar ouvidos aos principais treinadores do Brasil.

Vou a todos os Footecons (fórum de debates promovido por Carlos Alberto Parreira anualmente), sigo os conselhos dos técnicos vencedores. Aprendo com todos, são meus espelhos.

Uma de suas táticas é a psicologia. Sem grandes estrelas, é na base da raça que ele pretende surpreender no Carioca.

Passei o filme Desafiando os gigantes (a perseverança leva um time modesto de futebol americano a superar seus maiores desafios). Quero o Caxias vencendo e superando cada etapa. Lembro a eles o exemplo do Santo André (campeão da Copa do Brasil sobre o Flamengo no Maracanã) e do América do México (precisava vencer o Flamengo por três gols de diferença e fez 3 a 0, eliminando o time rubro-negro da Libertadores). Quero que eles entrem para a história como outros que acreditaram, entraram ressalta Buarque, citando a literatura como outra fonte de motivação.

Leio muita biografia. Recentemente, o livro do Bernardinho (técnico da seleção brasileira masculina de vôlei) me chamou a atenção. Aprendi que com o trabalho e muito suor a gente chega lá conta Buarque, apostando que o suor e a perseverança darão lugar aos craques que acabaram não sendo contratados.

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