Auxiliar de Dunga se mostra cético ao falar da volta de Ronaldo

Hilton Mattos, JB Online

RIO - Se as portas do Corinthians se abriram para Ronaldo, na Seleção Brasileira o Fenômeno parece não gozar do mesmo prestígio. Há um ar reticente quanto ao aproveitamento do atacante com a camisa amarelinha. Jorginho, auxiliar técnico de Dunga, demonstra certa insatisfação ao falar no assunto. Na opinião do ex-lateral, não é porque o jogador acertou seu retorno ao futebol que, da noite para o dia, ele voltará a ser o goleador de antes.

Perguntado se, a exemplo da Copa de 2002, Ronaldo será aguardado até o último minuto para ser a diferença no Mundial da África do Sul, em 2010, Jorginho foi sisudo:

De 2002 para cá, Ronaldo fez o quê? Infelizmente, ele não teve seqüência de jogos. Fazia quatro partidas e parava. As portas da Seleção estarão abertas para todo mundo, desde que estejam merecendo frisou o auxiliar técnico, não muito confortável com o tema. Ronaldo não joga há muito tempo, ainda nem voltou e já o cobram na Seleção. Primeiro, ele precisa se recuperar, ganhar confiança, jogar e ter uma seqüência. Isso ainda está longe.

A ida para o Corinthians é vista também com ressalvas por Jorginho. Ainda que esteja na torcida pelo sucesso do jogador e do clube paulista, o auxiliar espera que o Fenômeno tenha motivação para jogar. Há dúvidas se, aos 32 anos, eleito o melhor jogador do mundo três vezes e com dois títulos mundiais nas costas, Ronaldo ainda teria ambição na carreira. Para Jorginho, é bom que o jogador crie um objetivo e vá atrás de novas metas. Do contrário, corre o risco de se expor.

Todos na vida olham para a frente e trabalham para atingir suas metas. Ele precisa disso agora. Espero que se recupere e volte a ser o atacante que sempre foi observou Jorginho.

Durante a fase de recuperação da cirurgia no joelho esquerdo após romper o tendáo patelar, Ronaldo foi assistido pelo médico do Flamengo José Luiz Runco. Segundo o médico, clinicamente, o jogador está curado. O que falta a partir de agora é uma consciência profissional.

Quando ele se apresentou ao Flamengo para trabalharmos, estava acima do peso. Fizemos um trabalho de recuperação e ele entrou na linha. Depois, ele foi embora e, pelo que vi agora, vai ter de começar tudo de novo comentou Runco, criticando sutilmente a briga do jogador com a balança.