Arbitragem polêmica gera provocações entre dirigentes de Fla e Bota

Thales Soares, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - As polêmicas sobre arbitragem em torno dos clássicos entre Flamengo e Botafogo parecem não ter fim. Desde a escalação do árbitro Marcelo de Lima Henrique, o mesmo da final da Taça Guanabara deste ano, para o jogo de domingo passado, pelo Campeonato Brasileiro, as reclamações partiram dos dois clubes. Depois da vitória do Flamengo por 1 a 0, com um gol de pênalti marcado por Kléberson, sobrou apenas o Botafogo na revolta contra a arbitragem.

Vice-presidente de futebol do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro fez acusações sérias contra o Flamengo. Criou suspeitas do relacionamento do clube com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), depois que Kléber Leite, vice de futebol do rival, classificou a reclamação como chororô.

É muito fácil falar que o chororô é o nosso camisa 10 quando se tem um contato forte com a máfia. Como todos sabem, existe um plano de CBF e Flamengo administrarem o Maracanã e tudo isso faz parte do jogo. Eu não choro, apenas lamento que o futebol brasileiro seja comandado pela Família Soprano, e enquanto isso acontecer, vai ter muito chororô por aí afirmou Montenegro, em alusão a um seriado de TV americano.

Apesar da forte crítica, Kléber não se abalou. Pelo contrário, entendeu o discurso de Montenegro, mas não deixou de fazer novas ironias com relação ao chororô, em referência à atitude dos jogadores do Botafogo depois da derrota na final da Taça Guanabara.

Isto nada mais é do que a seqüência do chororô. É o chororô 2, a missão. O Montenegro é meu amigo, mas o destempero é um de seus defeitos. Nem levamos mais em conta o que ele fala comentou Kléber Leite, que reconheceu o erro na escalação do árbitro, mas também fez sua reclamação. Logo no início do jogo, o Carlos Alberto deu um tapa no Sambueza e ganhou amarelo. Era agressão para vermelho. Até acho o Marcelo bom árbitro, mas não deveria ter sido escalado.

A jogada mais polêmica envolveu Bruno e Jorge Henrique logo no começo do clássico. Presidente da Comissão de Árbitros da Federação do Rio, Jorge Rabello viu o jogo no Maracanã. Segundo ele, houve pênalti em cima de Jorge Henrique, mas o dirigente preferiu criticar o presidente da Comissão Nacional de Árbitros, Sérgio Corrêa, que não atende o telefone desde sexta-feira, quando Marcelo de Lima Henrique foi anunciado para o clássico.

Ele tinha outros 21 árbitros do Rio para escalar e colocou o Marcelo no sorteio. Falta bom senso, coerência. O Sérgio é o grande responsável por essa lambança e tem que dar uma explicação. A vida do árbitro já é extremamente complicada, lida com a paixão do torcedor e vai lá para interpretar. Era de domínio público que o Marcelo tinha problemas com o Botafogo lembrou Jorge Rabello.

O jogo foi onipresente nas tradicionais discussões pós-rodada.

Não acompanhei o jogo. Vi apenas os dois pênaltis e ambos aconteceram afirmou o ex-árbitro José Roberto Wright. O jogo estava muito no começo e, algumas vezes, você ainda está relaxado. Mas o problema é maior do que esse. No Rio, a renovação da arbitragem está equivocada e são poucos aqueles em condições de apitar.

Arnaldo César Coelho saiu em defesa de Marcelo, apesar de não ter assistido o lance com mais atenção para dar seu veredicto sobre a reclamação do Botafogo.

Botaram ele numa fria. Independentemente da decisão dele no primeiro lance, cairiam de pau. Ele vai ser vítima. Se foi ou não foi pênalti, não posso dizer. Na televisão todo mundo enxerga melhor. Mas o jogador (Jorge Henrique) também é useiro e vezeiro em se jogar analisou Arnaldo.