Apostas ilegais são mais graves que doping, dizem especialistas

REUTERS

ZURIQUE - As apostas ilegais e os resultados arranjados são mais perigosos para o futebol do que o doping, disseram especialistas da Fifa num congresso na segunda-feira.

- É uma grande ameaça, no caso especial do futebol, ainda maior do que o doping, por causa da percepção que deixa na cabeça do público - disse Detlev Zenglein, analista do Sistema de Alerta Precoce (EWS, na sigla em inglês) instituído pela Fifa para monitorar os padrões das apostas.

- Sempre há rumores que isso fica na cabeça das pessoas e diminui seu entusiasmo pelo esporte, porque elas acham que podem ser enganadas - disse o especialista.

De acordo com o EWS, as apostas ilegais representam mais de 100 bilhões dos 350 bilhões de dólares faturados mundialmente pelas apostas.

- Essa é a avaliação geral do setor sobre quanto dinheiro, significando o faturamento total menos os prêmios pagos, foi recolhido nos mercados ilegais de apostas da Ásia neste ano - disse à Reuters Wolfgang Feldner, diretor de estratégia do EWS.

- Nossa maior luta é contra esses mercados. Na Europa, o setor é altamente regulado, há regras e eles estão lutando conosco contra ameaças como o acerto de resultados.

- Temos de conscientizar o público de que na Ásia existe algo que vai atacar a integridade do esporte - acrescentou.

Segundo participantes do evento, o mais difícil é vincular os padrões inusuais de apostas com reais tentativas de alteração dos resultados.

- Tivemos mais de 25 jogos organizados pela Uefa nas últimas duas temporadas que muito provavelmente foram manipulados, mas as investigações ainda estão em andamento - disse Carsten Koerl, executivo-chefe da empresa de monitoramento de apostas Sportradar, que defendeu uma unificação das leis européias do setor.

A Uefa (entidade que dirige o futebol europeu) já havia confirmado a investigação dos jogos, mas sem identificar os envolvidos.

Funcionários do EWS disseram não haver sinais de fraude na Copa de 2006 nem nas Eliminatórias para a Copa de 2010.

Paquerette Girard Zapelli, da comissão de ética do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse não haver tampouco evidências de fraude nos Jogos de Pequim, onde o EWS também monitorou apostas.

O presidente da Fifa, Sepp Blatter, prometeu empenho no combate às apostas ilegais, mas alertou contra o alarmismo, citando recentes rumores sobre "marmeladas" na Copa de 2006. - Foi escrito e dito que houve resultados arranjados sem um só item de prova - disse Blatter.

- Na Fifa, estamos preparados para lutar por um esporte limpo, adequado e justo, mas não podemos tolerar que as pessoas abusem do futebol ou o usem como plataforma para difundir novos escândalos, quando afinal não há nenhum.