Crise mundial pode reduzir transferências de brasileiros para a Europa

Hilton Mattos, Jornal do Brasil

RIO - O sinal de alerta foi ligado no futebol brasileiro. O charme da transferência milionária para os grandes centros da Europa está seriamente ameaçado. Se a crise financeira americana provocada pelo crédito imobiliário se agravar, cada vez menos nossos craques viverão sensação semelhante à de Alexandre Pato, repassado aos 17 anos pelo Internacional para o Milan, da Itália, por US$ 20 milhões.

A recessão que assola os clubes do Velho Continente aponta para uma política austera de contratação. Com menos capital girando, o mercado tende a não permitir transferências milionárias. A saída deve ser o futebol sul-americano, onde a mão-de-obra é mais barata e o Brasil, pela tradição, o mais visado. Vale importante ressalva: valor de oferta menor a partir de agora.

Isso fará aumentar as negociações com os mercados emergentes, como os Emirados Árabes. Sair para um clube de ponta com menos de 20 anos engordando a conta bancária em US$ 10 milhões por temporada é quase uma utopia.

O jogador vai sair (do Brasil) mal. Clubes como o Milan não vão oferecer salários astronômicos. Aí o jogador no Brasil vai acabar se transferindo para países que, apesar de pagarem bem, não têm tanta visibilidade analisa o ex-jogador Leonardo, hoje manager do Milan.

Leonardo é testemunha ocular do momento delicado vivido na Europa. As receitas dos clubes provêm de arrecadação, publicidade e TV. Os contratos em vigência estão sendo respeitados, mas fica a expectativa quanto ao fôlego financeiro dos investidores.

A Premier League, na Inglaterra, é atualmente o produto mais rentável no conceito business do futebol internacional. Também é auto-sustentável e ainda conta com o auxílio luxuoso de mecenas como bilionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea. Com a crise, alguns desses acionistas majoritários perderam bilhões de dólares, pondo em xeque o padrão econômico da administração.

A libra perdeu 25% do valor de moeda para o dólar. Não haverá mais contratações impactantes. Isso pode gerar um efeito cascata, com os ingleses parando de investir nos outros centros europeus, que, por sua vez, deverão fazer ofertas menores no mercado sul-americano prevê a gente Fifa Eduardo Uran, empresário, entre outros, dos laterais Juan e Léo Moura.

Na visão de Leonardo, os clubes europeus inflacionaram o mercado pagando altos salários muito mais para satisfazer a torcida do que propriamente para obter resultados. A crise, acredita o ex-jogador, os fará refletir o atual momento.

Realmente, vai haver mudanças. Você não vai ver um jogador desconhecido internacionalmente como o Renato Augusto se transferindo (do Flamengo) para o Bayer Leverkusen por 10 milhões de euros. É muito dinheiro diz Leonardo.

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