Estreantes sonham com a fama no vácuo de Falcão

Tiago Leite, Jornal do Brasil

RIO - A cada quatro anos, a seleção brasileira de futsal atinge o auge da sua evidência, através da Copa do Mundo, que consagrou craques como Vander, Manoel Tobias, Choco, Fininho e Falcão. Neste ano, o Mundial, disputado pela primeira vez no Brasil, trouxe para mais perto do torcedor o futebol de jogadores estreantes na competição, como Ciço, Wilde, Betão e Gabriel, reconhecidos dentro do esporte, mas até então pouco vistos pelo público de um país que sempre preferiu a grama em vez da quadra.

Além da pouca popularidade do esporte, ainda há o êxodo dos jogadores para a Europa, onde as ligas são mais estruturadas e têm melhor remuneração, apesar de ser bem abaixo do futebol de campo (na Espanha, a média salarial do futsal é de 15 mil euros). Longe do Brasil, fica difícil acompanhar o desempenho da maioria dos nossos jogadores. Dos 14 convocados, oito atuam na Espanha, mesmo número de jogadores que participam pela primeira vez do mundial.

A chance de conquistar o mundo, após um jejum de 12 anos, sob os olhos da próprio país, pode representar uma mudança considerável na carreira.

Cheguei na seleção em 92 e fomos campeões mundiais. O título daquele ano alavancou minha carreira e tive mais mercado conta o ex-craque Fininho, bicampeão mundial (92 e 96).

Ele explica que os títulos o ajudaram a permanecer jogando no Brasil.

A valorização ocorre. Tive ótimas propostas do exterior, mas meus contratos aqui também eram bons, por isso sempre joguei no Brasil.

Ciço, de 27 anos, afirma se assustar com a repercussão do futsal neste período, mas garante que se preocupa primeiro com o reconhecimento da comissão técnica e dos seus companheiros de seleção.

É uma experiência única jogar a Copa do Mundo no Brasil. Mas o importante é eu ser valorizado pelo meu trabalho em quadra. O reconhecimento do público será consequência disse Ciço.

O fixo iniciou a carreira no Jaraguá e se transferiu para Portugal há cinco anos. Jogou em vários clubes até ser contratado por um dos grandes times da Espanha, o El Pozo, mesma equipe de Wilde, também de 27 anos.

O Ciço e o Wilde são grandes jogadores. Eles são ídolos do clube e são muito conhecidos na Espanha conta o amazonense Marcelo, que é naturalizado espanhol e estará no lado oposto ao do Brasil na decisão deste domingo.

Marquinho, de 34 anos, que também disputa seu primeiro Mundial, joga na Espanha há oito anos e atualmente defende o Inter Movistar. Ele começou no Carlos Barbosa e passou por Ulbra e Vasco.

O Mundial no Brasil é importantíssimo para divulgar o esporte e para que o público nos acompanhe. Vamos atrás do título para coroar nossa carreira comentou.

Jogador mais jovem da seleção, com 26 anos, Ari é um dos poucos que atuam no Brasil, na Malwee. O ala afirma não se preocupar com a repercussão da competição.

Para mim seria mais uma realização pessoal do que uma projeção. Não tenho pretensão de ser famoso explica.