Com Ney Franco, time foi o que mais fez gols no Brasileiro

Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO - Em quatro jogos, 11 gols. Estes são os números mais marcantes da era Ney Franco. Desde que o novo comandante chegou ao Botafogo, foi visível a mudança de postura do grupo. De time passivo, apático e pouco eficiente, o clube tornou-se a equipe mais ofensiva do Brasileirão nas últimas rodadas. Uma marca ainda mais significativa se for levado em conta a má fase do rival de domingo.

Nas mesmas últimas quatro rodadas, o Flamengo balançou as redes apenas cinco vezes, isto é, menos da metade de gols que fez o Alvinegro no mesmo período, sendo dois deles em erros da arbitragem contra a Portuguesa.

Os números de Ney Franco também superam os dos outros dois treinadores que dirigiram o clube neste Brasileiro. Sob o comando de Cuca que foi o técnico até a terceira rodada o time marcou apenas cinco gols. Com Geninho, as coisas pioraram ainda mais: sete gols em seis jogos. O Botafogo ainda foi dirigido em um jogo pelo interino Luizinho Rangel e nem chegou a balançar a rede. Na ocasião, o Botafogo perdeu por 3 a 0 para o Náutico, em jogo marcado pela confusão formada após a expulsão de André Luiz.

O Ney é uma excelente pessoa. Está sendo muito bom trabalhar com ele. Estamos fazendo bons jogos e temos crescido a cada partida avaliou o lateral Triguinho. Acho que a chegada do Ney mudou o nosso astral.

Lúcio Flávio, que chegou a estar ameaçado de ir para o banco, aponta a concorrência interna como um dos motivos da evolução da equipe.

Tivemos uma mudança boa, isto é visível. O Ney procura motivar os jogadores, inclusive os que não estão jogando. Isto é bom, pois estimula todos a fazerem o melhor, o que gera uma disputa interna muito sadia avaliou o meia.

Os elogios ao técnico vão do porteiro à diretoria. O colaborador de futebol Ricardo Rotenberg derreteu-se ao falar do comandante. Tentamos contratá-lo quando o Cuca saiu, mas acabamos optando pelo Geninho. Infelizmente não deu certo, apesar de ele ser um bom profissional. Daí voltamos a conversar com o Ney. Acabou que foi bom ele ter vindo só agora, pois chegou num momento em que já não havia tanta cobrança em reeditar a era Cuca comentou o dirigente, em entrevista à Rádio Brasil.

Mudanças táticas

Além da questão da motivação, o grupo aponta como chave para a eficiência algumas mudanças táticas implementadas por Ney. A mais visível diz respeito ao posicionamento, que passou a ser de muito mais proximidade entre os setores.

O Ney gosta que joguemos bem mais próximos um do outro. Temos que ter o equilíbrio para mantermos a regularidade analisou Lúcio Flávio. - Acho que temos construído mais chances porque melhoramos na marcação.

A fase alvinegra é tão boa que um dos jogadores que sempre se caracterizaram pela pouca ofensividade vem participando ativamente das jogadas de ataque. Trata-se do lateral Triguinho, que deixou sua marca na goleada de quarta-feira, diante do Atlético-MG, em um lance que fugiu muito de suas características.

Não é o meu forte entrar na área. Os meus fortes são e marcação e cruzamento. Mas tive a tranquilidade para dominar e marcar. Foi o segundo gol de pé direito da minha carreira divertiu-se.