Argentina jogará "outra final" da Copa de 1978

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BUENOS AIRES - Parte da seleção argentina de futebol que ganhou em casa a Copa do Mundo de 1978 voltará a jogar no domingo, mas desta vez em homenagem às vítimas da ditadura que governava o país, torturando e matando enquanto milhões de pessoas festejavam.

A chamada "A outra final" será disputada no estádio do River Plate, o mesmo em que milhares de argentinos viram o triunfo sobre a Holanda na final do torneio há 30 anos atrás. A vitória ficou para sempre ofuscada pela realidade política que o país vivia.

Durante o governo militar, cerca de 30.000 pessoas foram sequestradas, torturadas e assassinadas segundos as denúncias de grupos de defesa dos direitos humanos, entre elas estavam opositores do governo e milhares de jovens sem qualquer atividade política.

- A sociedade Argentina tem muitas dívidas e entre elas está o Mundial de 78, um mundial que foi o broche de ouro da repressão, um mundial feito para lavar a cara dos assassinos (...) para lavar a cara diante do mundo", disse Mabel Gutiérrez, representante de uma das agrupações de direitos humanos que organiza o evento, em uma coletiva de imprensa -

Leopoldo Jacinto Luque, Omar Larrosa, Héctor Baley, Luis Galván, René Houseman, Miguel Oviedo e Ricardo Villa, que integravam a seleção argentina, já confirmaram sua presença na partida e se espera que alguns mais compareçam.

- Há uma coisa que tem que ficar muito clara: não estamos por nada acusando os jogadores daquele momento. Nos interessa muito o que eles pensam do que ocorria enquanto se jogava em 78 - disse Tati Almeida, da associação de mães da Plaza de Mayo.

- A ditadura queria que os jornalistas que viessem cobrir o mundial pudessem constatar que a Argentina era um país pacífico, embora fosse a paz dos cemitérios a que havia naquele momento no país - acrescentou.

Segundo Gutiérrez, da associação de Familiares de Desaparecidos e detidos políticos, a tribuna de onde a junta militar presenciou a final da Copa do Mundo há 30 anos ficará vazia desta vez, as cadeiras serão ocupadas simbolicamente por todas as vítimas da repressão. Gutiérrez, da associação de Familiares de Desaparecidos e detidos políticos.